Sábado, 18 de Novembro de 2017

“Estou preso há 16 anos e trabalho há 14 anos”

5 JUL 2010Por 07h:04
Embora a ressocialização de presos ainda seja considerada utopia por alguns críticos, para presos que têm a oportunidade de aprender um ofício ou estudar, durante o período em que estão encarcerados, representa a esperança de um dia ter uma vida melhor. Osvaldo Maurício Silva, 60 anos, cumpre pena por estupro no Instituto Penal de Campo Grande (IPCG) e conta que dentro do presídio aprendeu a ser costureiro e padeiro profissional. “Estou preso há 16 anos e há 14 trabalho dentro do presídio. Já aprendi muita coisa aqui e quando eu sair quero montar firma de costura ou então comprar um caminhão para trabalhar”.
Silva trabalha, hoje, na padaria do IPCG e ganha R$ 385 por mês. Ele deve ganhar o direito de terminar de cumprir a pena no regime semiaberto no ano que vem. “Como não tenho família para sustentar, estou juntando o dinheiro para abrir um negócio. Acho que tenho todo o direito. Cometi muitos erros na vida e estou aqui pagando por eles. Na minha visão, só voltar a fazer coisa errada, depois que passa pelo que a gente passa aqui, quem quer. Acho que, apesar de ser terrível não poder ver o mundo por mais de 10 anos, trabalhando a gente tem oportunidade de mudar”.
J.R., 39 anos, também interno do IPCG diz ser um “excelente serralheiro”. No presídio trabalha em parceria com marceneiros e aprendizes na construção de móveis, além de contribuir para a manutenção da penitenciária. “Sempre trabalhei em serralheria, mas cai na besteira de entrar para o mundo do crime. A minha sorte é que aqui, mesmo estando preso, consegui continuar trabalhando. O tempo que a gente passa dentro da serralheria do presídio faz com que a gente sinta que está em liberdade”. J.R. cumpre pena por sequestro há 1 ano.

Exemplo
Outro bom exemplo de quem aproveitou as oportunidades que teve quando estava preso é o do empresário de Campo Grande, que pediu para ter a identidade  preservada. Ele foi preso por tráfico de drogas, passou um ano no Instituto Penal e depois mais um ano no regime semiaberto, onde apreendeu  a trabalhar como jardineiro. Hoje, em liberdade condicional, montou um empresa de jardinagem e só contrata ex-presidiários para trabalhar. “Posso afirmar, com certeza, que nunca mais vou cair na besteira de mexer com drogas novamente. Hoje, eu tenho uma família, que sustento com trabalho digno. E, quando montei a empresa, resolvi dar para os outros presos a oportunidade que tive. A gente sabe que a sociedade é preconceituosa”. (AZ)

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