Sábado, 18 de Novembro de 2017

Estação Ferroviária será centro cultural

1 JUN 2010Por 06h:29
OSCAR ROCHA

Um local que reunirá história, lazer e cultura. Se o cronograma for seguido à risca, nos primeiros meses de 2011 Campo Grande poderá contar com a revitalização total do prédio da antiga Estação Ferroviária, que contará com espaço museológico, de convivência social e de eventos culturais. Os estudos decisivos para viabilização das obras foram feitos nos dois últimos meses e reuniu técnicos do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb), Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seinthra) e Fundação Municipal de Cultura (Fundac).

Os recursos necessários para a concretização do projeto foram obtidos no Programa de Aceleração do Crescimento das Cidades Históricas (PAC). No total, serão investidos R$ 2,6 milhões. “Nós próximos dias será publicado o edital do projeto e, provavelmente, até julho as obras sejam iniciadas”, enfatiza a diretora-presidente do Planurb, Marta Lúcia da Silva Martinez.

Uma das principais preocupações dos envolvidos foi manter elementos históricos mais representativos do complexos sem perder de vista possíveis modernizações nem desvirtuar a concepção original. Como o prédio passou por alterações ao longo dos anos, desde que foi construído nos primeiros anos do século 20, a pesquisa precisou aproximar documentos bibliográficos com relatos de antigos trabalhadores da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. No primeiro momento, fotografias, plantas e publicações foram consultadas. No caso das fotografias, mesmo de forma reduzida, foram essenciais para a identificação de pontos originais da construção. Outra etapa foi ouvir  a comunidade ligada à estação ferroviária. A prospeção pictórica (investigação das pinturas) também fez parte do levantamento.

A diretora do Planurb explica que os estudos mostraram que as aberturas originais da fachada principal da Estação Ferroviária eram todas em madeira, vidro e de tamanhos maiores. No entanto, não se chegou a precisar em qual momento foram substituídas por esquadrias de ferro e vidro, de tamanhos menores. O relógio, antes redondo, foi trocado por um quadrado. “Como não é intenção recriar um estilo e sim preservar a história, entende-se que esses elementos já estão incorporados ao imaginário que a população tem sobre a estação e propõe-se no projeto que sejam mantidos”, explica.

O saguão da estação terá seu perfil mantido. O local,  onde no passado vendiam-se passagens, servirá de ponto de informação. Na área ao lado, parte direita, onde funcionava um galpão de produtos, serão instalados o “Espaço Ciência”, onde serão expostos os objetos restaurados, e “Espaço história”, que contará com exibição de audiovisual sobre a história da ferrovia por meio de imagens antigas e depoimentos dos trabalhadores.
Nessa área, ainda funcionará um centro de documentação museológica, com espaço para exposição de mapas, fotografias e oficina de recuperação de documentos. “Quando da desativação da estação, alguns materiais foram adquiridos pela prefeitura, pensando em um museu – coisas como balanças, cofre e mobília. Esse material estará no local. Também será feita campanha para quem quiser contribuir com antigos objetos ligados à história da ferrovia”, destaca Marta Lúcia.

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