Sábado, 18 de Novembro de 2017

Esquiadores de primeira viagem

22 JUL 2010Por 07h:15
Adriana Moreira (AE)
Santiago (Chile)

Os primeiros passos saem um tanto desajeitados. Para pés pouco (ou nada) acostumados, as lâminas do esqui se assemelham a um assoalho ensaboado. E embora a perfeição leve bem mais do que uma semana oferecida pelos pacotes, na maioria das vezes, dois ou três dias de aulas bastam para sentir o vento no rosto, se divertir muito e cair ainda mais. O Brasil lidera a ocupação internacional nos resorts de inverno do Chile e Argentina – em alguns casos, supera o número de hermanos. O português praticamente se transforma em idioma oficial nesses locais durante as férias de julho. As estações seguem abertas até pelo menos a primeira quinzena de setembro.
Para esquiadores de primeira viagem, a escolha do destino pode parecer uma preferência meramente geográfica. Engano. Cada estação tem características bem peculiares, que devem ser levadas em conta antes da compra do pacote – especialmente para quem vai estrear nas pistas.
No Chile, há três opções principais: Portillo; Termas de Chillán, construída entre fontes de águas naturalmente aquecidas; e Valle Nevado, o maior complexo (e o mais conhecido dos brasileiros).
A partir de Santiago, a viagem até Portillo leva duas horas, por uma estrada confortável. O único senão é o grande número de caminhões que rumam à Argentina – Mendoza, do outro lado da fronteira, está a três horas do hotel.

Surpresa
A van sobe os Andes num zigue-zague que parece infinito. Até que, de repente, vira à esquerda. E eis que surge um oásis nevado: escondida pelo hotel, a Laguna del Inca reflete as montanhas, num espetáculo que ninguém se cansa de assistir.
Portillo é considerada uma das mais antigas áreas de esqui da América do Sul. A pequena hospedagem criada na década de 1930 se transformou num gigante de 125 quartos em 1940, com a inauguração do estabelecimento que recebe a maioria esmagadora dos visitantes.
Apesar de ter passado por algumas renovações, o hotel manteve seu ar clássico. A estrutura feita de madeira segue dando charme às áreas comuns. Os elevadores são “pilotados” por simpáticos e solícitos ascensoristas, que protagonizam divertidos bate-papos entre um e outro andar. Desligados das 2 às 8 da manhã, podem virar um problema para quem vai fazer check-out cedo.
Remodelados, os quartos são confortáveis e têm Wi-Fi disponível. Mas televisão, não: opção do hotel, para que os turistas se desconectem do dia a dia e relaxem. Talvez a área do café não ficasse lotada de famílias brincando com jogos de tabuleiro ou conversando após o jantar se o aparelho estivesse à mão.
Afinal, a verdadeira diversão se espalha pelos cinco quilômetros de pistas, disputadas por praticantes do esqui e snowboard, que já saem do hotel deslizando sobre a neve. Quem está começando fica na área logo abaixo, para as aulas coletivas, das 10h30min ao meio-dia e das 15 às 16h30min.
As opções de pistas para os iniciantes são poucas. Mas quem ainda não tem habilidade suficiente para descer esquiando o El Plateu pode almoçar no Tio Bob’s às quintas-feiras, quando o esqui-lift leva para o alto da montanha (e também traz, pode ficar aliviado) aqueles que estão sem esquis nos pés. Não dá para negar um certo frio na barriga na hora de subir na íngreme cadeirinha... No cardápio, sopas, saladas e carnes. E a inesquecível vista da Laguna.
Às sextas-feiras, instrutores e esquiadores experientes sobem nos teleféricos à noite. Às 20h, eles descem empunhando tochas, fazendo uma trilha iluminada. Se não tiver uma boa câmera, nem tente fotografar: prefira assistir a tudo com atenção. Para não esquecer nenhum detalhe.

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