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Especialistas orientam pais sobre como abordar o preconceito com os filhos

Especialistas orientam pais sobre como abordar o preconceito com os filhos

IG

17/01/2012 - 05h00
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Um garoto negro, de 6 anos de idade, é retirado à força de um restaurante de São Paulo após ser supostamente confundido com um menino de rua. A cena descreve uma situação recente, ainda sob investigação, e ilustra uma realidade alarmante em um país em que a diversidade – social, étnico-racial, de gêneros, territorial, entre outras – ainda não é compreendida como algo positivo para a sociedade.

Em 2009, uma pesquisa sobre preconceito e discriminação foi realizada pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) em 501 escolas públicas de 27 estados brasileiros. O estudo, que envolveu alunos, professores e pais, revelou que 99,9% dos entrevistados preferem manter distância de algum grupo social específico. 96,5% dos entrevistados expressaram preconceito com relação a portadores de necessidades especiais, 94,2% têm preconceito étnico-racial, 93,5% de gênero, 87,5% socioeconômico e 87,3% com relação à orientação sexual..

Para a pedagoga Lucimar Rosa Dias, doutora em diversidade étnico-racial e infância e consultora do CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, os dados são indicadores claros de que o combate a esse quadro depende também de uma ligação sadia entre escola e família. “Não dá para esperar uma sociedade sem preconceito se não há compromisso com isso”, diz. “Educar para a diversidade não tem dia, nem hora. É essencial conversar, mostrar, dizer o que está errado. E nunca subestimar a capacidade de compreensão da criança”, completa.

 

Abordagem clara

Em uma situação como a do garoto expulso do restaurante, silenciar ou não agir em defesa da criança é uma atitude condenável. Deparada com uma cena do tipo, a criança não é capaz de compreender que a falha não está nela, e sim no desrespeito e falta dignidade do outro.

Para entender o que aconteceu, é necessário falar claramente sobre um assunto tabu e explicar que há pessoas que são discriminadas ou sofrem violência por serem homossexuais, negros, nordestinos, deficientes, entre outros, ressaltando que todos são diferentes entre si e um indivíduo não pode ser classificado e julgado por uma única característica.

Isso é fundamental para fortalecer a auto-estima e os mecanismos de defesa da criança. “Sem apoio, a criança atribui a culpa e o desconforto a ela mesma, procurando defeitos para justificar a exclusão”, pondera Lucimar.

Revendo valores

Lidar abertamente com o preconceito sem recair sobre ele é um desafio que o mundo adulto deve encarar como um dever de extrema responsabilidade. “Valores sociais muito rígidos propiciam idéias pré-concebidas e não agem a favor da diversidade”, explica a psicóloga e terapeuta comportamental Denise Pará Diniz.

Isso quer dizer que não adianta nada proibir seu filho de brincar de casinha, ao mesmo tempo em que exige dele participação nas tarefas domésticas, nem justificar um comportamento agressivo de um colega pelo fato dele ter pais separados, nem atribuir às mulheres o título de péssimas motoristas, nem estabelecer que rosa é para meninas e azul para meninos. Os exemplos são infinitos.

 

“Precisamos ser críticos tanto em relação aos estereótipos que a cultura produz como em relação aos nossos próprios juízos sobre as demais pessoas. Não é um exercício fácil”, diz Ari Fernando Maia, professor de Psicologia da Unesp.

Mas esta tarefa difícil pode ser enfrentada em pequenos momentos do dia a dia. Desenhos, filmes, novelas, comerciais, vivências escolares: tudo que faz parte do cotidiano infantil é uma oportunidade para abordar o preconceito sem recorrer a situações artificiais.

“Se um negro ou deficiente passou por uma situação constrangedora na novela, por que não discutir o assunto? Ao demonstrar que determinada ação não tem cabimento, a própria criança vai construindo atitudes menos marcadas pelo preconceito”, diz a psicóloga Ângela Soligo, professora da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

alegações finais

Ministério Público pede que Bernal seja levado a júri popular por assassinato de fiscal

Nas alegações finais, promotores de Justiça pedem a pronúncia do ex-prefeito pelos crimes de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo

09/06/2026 18h00

Ex-prefeito é acusado de matar fiscal tributário em briga por imóvel

Ex-prefeito é acusado de matar fiscal tributário em briga por imóvel Foto: Reprodução

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu à Justiça que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, seja submetido a júri popular, pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpo, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima e porte ilegal de arma de fogo.

Bernal é acusado de matar a tiros o fiscao tributário Roberto Carlos Mazzini, no dia 24 de abril deste ano, em disputa por imóvel.

As audiências de instrução e julgamento foram realizadas nos dias 26 e 27 de maio, com interrogatório de Bernal, que alegou que agiu em legítima defesa.

O MPMS apresentou as alegações finais no processo, em requerimento assinado pelos promotores de Justiça José Arturo Iunes Bobadilla Garcia Promotor de Justiça Lívia Carla Guadanhim Bariani, onde pede que o ex-prefeito seja julgado pelo Tribunal do Júri.

Conforme o MPMS, a materialidade do crime está comprovada pelo auto de prisão em flagrante, laudos periciais e depoimentos de testemunhas, assim como a autoria.

"Em seu interrogatório judicial, o réu Alcides Jesus Peralta Bernal, no exercício de sua autodefesa, buscou eximir-se da responsabilização penal ao invocar a excludente de ilicitude da legítima defesa. Contudo, a versão por ele apresentada encontra-se completamente dissociada dos demais elementos probatórios coligidos aos autos. Em que pese tente justificar sua conduta alegando que a vítima e o chaveiro teriam feito movimentos bruscos e que supôs estarem armados, o próprio acusado confirma, de forma expressa, ser o autor direto dos disparos de arma de fogo que vitimaram Roberto Mazzini", diz o Ministério Público.

Assim, os promotores afirmam que Bernal deve ser julgado em plenário, para que o caso seja apreciado pelo Conselho de Sentença.

Os promotores justificam ainda o pedido para que ele seja pronunciado por homicídio qualificado, argumentando que o motivo torpe está no fato de Bernal ter agido motivado pelo sentimento de vingança, por não aceitar a perda do imóvel para a vítima. 

Em relação à qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima, o órgão afirma que restou comprovada, visto que o réu chegou ao imóvel já em posse de arma de fogo, entrou no recinto com rapidez e efetuou os disparos, surpreendendo a vítima.

"Dessa forma, o ofendido foi alvejado de inopino, sendo impedido de esboçar qualquer reação defensiva eficaz, o que atrai a incidência da qualificadora em apreço", diz as alegações.

Já quanto ao meio cruel, o Ministério Público ressalta que está comprovado pelo fato de Bernal ter efetuado o primeiro disparo e, após o fiscal ser atingido, efetuou o segundo à curta distância, com a vítima já caída, fugindo do local em seguida sem prestar socorro.

"O réu tentou justificar a dinâmica fática, alegando que os disparos teriam ocorrido em sequência e com a vítima ainda em pé. Contudo, ao ser inquirido pelo membro deste órgão ministerial, foi confrontado com os dados técnicos que vão contra sua narrativa", dizem os promotores, se referindo ao laudo que apontou que o segundo disparo foi efetuado a queima-roupa.

O MPMS pede ainda oreconhecimento de aumento de pena pelo fato da vítima ter mais de 60 anos.

Relembre o caso

O crime ocorreu no dia 24 de março. Alcides Bernal matou o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini após se recusar a entregar seu imóvel, que havia sido leiloado.

A disputa pelo imóvel começou em 2023, quando em um primeiro pregão, o imóvel foi ofertado por R$ 3,7 milhões, mas ninguém se interessou.

Depois, o valor caiu para R$ 2,4 milhões e o fiscal tributário acabou comprando a mansão. Contudo, mesmo após ter sido arrematado por Roberto Mazzini, Bernal se recusava a entregar a casa, levando a imbróglios judiciais.

No dia 24, Bernal flagrou por meio do monitoramento de segurança a vítima entrando na propriedade com a ajuda de um chaveiro.

Ao chegar no local, o ex-prefeito se desentendeu com o fiscal e efetuou dois disparos na direção do rival judicial, sendo que um dos tiros atravessou a região da costela.

Imagens de câmera de segurança da casa mostraram que o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou de picape ao local, por volta das 13h, enquanto Roberto o esperava dentro de sua caminhonete na frente do imóvel.

Logo após a chegada do chaveiro, o fiscal passou a instrução para Maurílio tentar abrir a porta principal da casa. As imagens mostraram que, enquanto o chaveiro realizava o trabalho, o fiscal apenas observava e esperava a conclusão da abertura.

Exatos 35 minutos depois de começar os trabalhos, Maurílio conseguiu abrir o portão e avisou Roberto, que imediatamente acessou a região interna da casa. Durante os próximos cinco minutos, ambos ficaram dentro do imóvel.

Às 13h44min20s daquele dia o vídeo mostra que o ex-prefeito chegou à frente da casa, após ser avisado pela equipe de monitoramento da empresa New Line de que teriam invadido a residência.

Cerca de 17 segundos depois, Bernal entrou no imóvel e, depois de cinco passos, efetuou o primeiro disparo contra Roberto.

No momento em que Bernal vai em direção ao corpo da vítima, ele entra no ponto cego da câmera, momento em que teria dado o segundo tiro no auditor fiscal, de acordo com o laudo pericial. Após isso, é possível ver o chaveiro escapando e saindo da casa, às 13h45min10s.

O ex-prefeito voltou a aparecer na filmagem, quando guarda a arma na cintura e se dirige para fora da casa, momento em que aproveitou para chamar a equipe da New Line, que tem sua sede exatamente na frente do local do assassinato.

Depois de mexer no celular, Bernal foi embora da cena do crime. Após isso, Bernal fugiu do local do crime e se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). Ele está preso desde o dia do crime. 

Nos dias 26 e 27 de maio, foi realizada audiência de instrução e julgamento, com oitiva de testemunhas de acusação e defesa e também de Bernal.

Com o fim dessa fase, o Ministério Público Estadual encaminhou as alegações finais e caberá agora ao juiz decidir se o ex-prefeito irá a júri popular ou não.

Guerra

Trump acusa Irã de derrubar helicóptero americano e diz que EUA 'precisam responder' ao ataque

Um barco-drone resgatou dois pilotos do Exército que estavam a bordo do helicóptero de ataque Apache

09/06/2026 17h30

Helicóptero Apache

Helicóptero Apache U.S Army

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, culpou o Irã pelo abate de um helicóptero do Exército americano perto do Estreito de Ormuz nesta terça-feira, 9. O republicano afirmou que os EUA devem responder ao ataque.

Um barco-drone resgatou dois pilotos do Exército que estavam a bordo do helicóptero de ataque Apache quando ele caiu perto da via navegável que o Irã fechou efetivamente durante sua guerra contra os EUA e Israel.

Trump disse em uma publicação nas redes sociais que ambos os militares "estão bem e ilesos". "No entanto, os Estados Unidos devem, por necessidade, responder a este ataque", escreveu Trump.

Autoridades militares não revelaram o que causou a queda do helicóptero Apache, informando que o acidente está sob investigação. Pouco antes de publicar sua acusação, Trump afirmou que acabara de saber que o Irã era o responsável.

O helicóptero caiu enquanto o Oriente Médio ainda se recuperava após Irã e Israel trocarem tiros no dia anterior, no maior golpe até então após o frágil cessar-fogo na guerra. A televisão estatal iraniana informou na terça-feira que os ataques israelenses mataram pelo menos dois membros das unidades de defesa aérea do país.

Resgate

O acidente ocorreu por volta das 3h30 da manhã, horário local, na costa de Omã, enquanto o helicóptero realizava uma patrulha, informou o Comando Central dos EUA.

Um barco não tripulado localizou os dois aviadores depois que eles passaram cerca de duas horas na água, disse o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA. Ele afirmou que este foi o primeiro resgate marítimo conhecido realizado por um drone pelas Forças Armadas dos EUA.

Os helicópteros AH-64 Apache têm sido um recurso fundamental para as Forças Armadas americanas na imposição do bloqueio aos carregamentos de petróleo bruto e aos petroleiros iranianos, com o objetivo de pressionar Teerã a chegar a um acordo para colocar fim à guerra.

Os helicópteros também têm sido usados pelos Emirados Árabes Unidos para derrubar drones iranianos. O drone usado para realizar o resgate era uma embarcação de 7,3 metros chamada Corsair, disse Hawkins. Ele é fabricado pela Saronic Technologies.

O drone foi designado para a Força-Tarefa 59, criada em 2021 como a primeira unidade não tripulada e de inteligência artificial da Marinha que se concentra na segurança marítima no Oriente Médio, incluindo o Estreito de Ormuz e o Canal de Suez.

Desde que os EUA e Israel começaram a atacar o Irã em 28 de fevereiro, a guerra abalou a economia global, elevou os preços da energia em todo o mundo e encareceu muitos produtos básicos, incluindo alimentos.

Autoridades não conseguiram transformar o cessar-fogo de abril em um acordo para encerrar definitivamente o conflito, especialmente à medida que Israel intensifica e expande sua campanha militar no Líbano contra o grupo radical xiita Hezbollah, que é pró-Irã.

*Com informações da Associated Press (AP).
 

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