Quarta, 22 de Novembro de 2017

Especialista não vê “receita pronta”

15 MAR 2010Por 22h:47
Professor aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, na qual lecionou por 35 anos, o engenheiro Jorge Gonda, especialista em hidrologia, não tem receita pronta para resolver o problema das enchentes no entorno da Bacia do Córrego Prosa Mas recomenda o estudo de toda a área impactada, a identificação dos pontos de estrangulamento, além do envolvimento da população mais diretamente atingida nas discussões, que não podem ficar limitadas a políticos, engenheiros, urbanistas, ambientalistas e representantes do segmento imobiliário. “Não adianta promover ações pontuais, nem descartar qualquer alternativa, inclusive a canalização do córrego”, comenta. Ele não se impressiona com a oposição dos ambientalistas, que consideram o “envelopamento” ecologicamente inadequado. Com o nível de poluição atingido pelas suas águas e as inúmeras intervenções que o Prosa sofreu ao longo dos anos, a variedade de espécies (peixes, anfíbios) que ainda sobrevivem lá é mínima em relação à época em que a cidade era menor. “Vez por outra aparece um jacaré, uma tartaruga, porque são animais que não dependem do oxigênio da água para sobreviver”, observa. Para Gonda – que tem no currículo o projeto de controle da erosão na Mata do Jacinto – colocar gabião, talude e gramar as margens como a Prefeitura fez entre as ruas Ricardo Brandão e Padre João Crippa, só funcionaria se houvesse eficiente rede de bocas de lobo para dar vazão à água. “A enxurrada não pode atingir a grama o gabião cai por causa da infiltração”, explica. E foi exatamente o que ocorreu. “Antes de se pensar em redimensionar a drenagem existente, também é precioso estimular a população do entorno a promover a retenção das águas de chuva. Por exemplo, a quem construir reservatórios de reaproveitamento”, Aliás, essa exigência deveria ser obrigatórias nos futuros projetos arquitetônicos e de engenharia. Lembra, ainda, que esta alternativa é viável, tendo em vista serem bairros atendidos com rede de esgoto, não havendo necessidade de fossas sépticas. O engenheiro diz que não se pode adotar como verdade absoluta, para avaliar se o sistema de drenagem foi corretamente dimensionada, o emprego da média histórica de chuvas registradas na cidade nos últimos 50 anos. “É um parâmetro. O impacto de 180 milímetros de chuva em 1960, quando não havia shopping, nem todo o adensamento populacional que há atualmente na Bacia do Prosa, é bem diferente do impacto de hoje, de 88 milímetros em 80 minutos, concentrados apenas numa região. É lógico que, naquela época, o nível de permeabilidade era muito maior, portanto, o solo absorvia muito mais água”. O engenheiro tem restrições – embora respeite “a opção dos colegas que fizeram o projeto – a utilização de galerias celulares (como as que são usados nas pontes do Prosa e estão projetadas para a Avenida Ceará) e o uso de tubos com dimensões diferenciadas. “Este material criará gargalos no escoamento das enxurradas, com galhos de árvores e lixo, que são atirados no córrego pela população e ficam retidos nas hastes de sustentação das galerias”, explica. Mas reconhece que pior, ainda, é o sistema até agora utilizado, de tubulação Armco, que é corrugada. (FP)

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