Domingo, 19 de Novembro de 2017

Máfia dos diplomas falsos

Escola de diploma falso continua aberta

1 JUL 2010Por 06h:36
bruno grubertt

Um dia depois da operação da Polícia Federal (PF) que desmantelou a máfia dos diplomas falsos que atuava em Mato Grosso do Sul,  o Centro Preparatório Unificado (CPU), uma das três escolas de Campo Grande acusadas de fraude e de onde documentos foram apreendidos, continuava de portas abertas e negociando a obtenção de diplomas irregulares. As outras duas escolas – Paulistec e Instituto de Desenvolvimento e Formação de Mão de Obra de Mato Grosso do Sul (Idefor) – estavam fechadas.

Anteontem, agentes da PF cumpriram 59 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Nova andradina, Sidrolândia, Alcinópolis, Rio Negro, Corumbá, Ponta Porã e Ivinhema, e em cidades nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. As ações fizeram parte da Operação Formatura, iniciada em 2008, contra a venda de certificados de cursos técnicos e diplomas dos ensinos fundamental e médio. Dez pessoas foram indiciadas pelos crimes de falsidade ideológica, estelionato e formação de quadrilha.

O delegado da Polícia Federal José Otacílio Della Pace Alves informou ontem que a PF não tem competência para fechar os estabelecimentos e apenas para cumprir os mandados de busca e apreensão nos locais envolvidos nas investigações.

Negociação
A reportagem entrou em contato com o CPU por telefone, passando-se por um estudante interessado em obter a certificação de conclusão do Ensino Médio. Uma funcionária informou que as negociações continuavam sendo feitas, porém, disse que o CPU é responsável, apenas, por “agenciar” a viagem do candidato a um dos estados onde são feitas provas do antigo supletivo.

A atendente citou Goiás, Santa Catarina e Paraná onde, realmente, as provas são oferecidas gratuitamente pelas secretarias estaduais de educação. Os “provões de massa”, como classificou a funcionária do CPU, são legais naqueles estados. Em Mato Grosso do Sul, o supletivo foi substituído pelo sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, atualmente, quem tiver acima de 18 anos e estiver pleiteando um certificado de conclusão pode obtê-lo pela nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A atendente alegou que o estabelecimento oferece apenas um curso preparatório e não aulas regulares e cobra R$ 680  pelo material didático e pela orientação. Além disso, o aluno também tem de pagar a viagem. O que a polícia vai investigar é se o CPU apenas agencia a viagem e a inscrição dos candidatos ou se há outra forma para obtenção dos certificados.

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