Quinta, 23 de Novembro de 2017

VALORIZAÇÃO

Escassez faz preço do algodão subir 89%

10 SET 2010Por 07h:52
Carlos Henrique Braga

A redução de 30% na área plantada de algodão nos últimos três anos diminuiu os estoques e, por consequência, elevou preços pago ao produtor em até 89,4% em Mato Grosso do Sul. O tipo pluma, usado pela indústria têxtil e presente em 95% das lavouras do Estado, é comercializado por R$ 72 por arroba, mas já foi vendido a R$ 38 em Chapadão do Sul, principal polo produtor.
Os preços baixos afugentaram agricultores e a área destinada à planta no Estado encolheu de cerca de 52 mil hectares, em 2007, para 36,9 mil hectares neste ano. A redução ocorreu em todo o País. “Eles estavam desmotivados, foi preciso depender das compras do governo para não perder ainda mais, isso fez com que os produtores mudassem de atividade, o que provocou escassez e preços altos”, explica o dirigente da Associação de Produtores de Algodão do Estado (Ampasul), Adão Antonio Hoffmann.
Segundo o executivo, é preciso importar 250 mil toneladas de algodão porque a produção nacional deste ano (1,05 milhão de toneladas) não foi suficiente para abastecer indústrias e cumprir contratos de mercado futuro. “A indústria precisa de 900 mi toneladas e os contratos, de mais 400 mil, então faltam 250 mil toneladas que vão ter que vir de fora”, diz Hoffmann.
O preço nas alturas já chama os produtores de volta, o que pode resultar na reconquista dos 15 mil hectares perdidos.  O executivo da associação estima em 30% o incremento de área na safra 2010/11, que começa a ser plantada em dezembro. Segundo estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada ontem, houve aumento de 4,6% na área plantada de algodão pluma no Estado na safra 2009/10, passando de 36,9 mil hectares, registrados na safra 2008/09, para 38,6 mil hectares. No entanto, a produção de 55,8 mil toneladas da safra atual deve ser 2,4% menor do que a de 57,2 mil toneladas da anterior.
A retomada do cultivo resultará em preços menores ao produtor no final de 2011. “É claro que com mais produção os preços tendem a cair”, opina Hoffmann. Para ele, seria razoável manter valores na casa dos R$ 60 por arroba, respeitando o preço mínimo de R$ 44,60. “Com menos do que isso não conseguiríamos pagar nossas despesas e ter lucro”, analisa.

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