Quinta, 23 de Novembro de 2017

BOVINOS

Escassez de boi será longa e carne vai continuar cara

7 SET 2010Por 21h:05
Edivaldo Bitencourt

Escassez de bovinos para abate deverá se prolongar em Mato Grosso do Sul e só será solucionada em cinco anos. O mercado consumidor aquecido e o aumento de 16% no consumo per capita de carne vermelha deverá manter o viés de alta no preço da arroba. Especialista prevê que a cotação da arroba do boi gordo deverá subir mais 5,8% neste ano, atingindo R$ 90 até dezembro deste ano.
Para o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Antenor Nogueira, serão necessários de quatro a cinco anos para recuperar patamares já atingidos na reserva de gado. Somente em Mato Grosso do Sul, houve redução de 23,6% no rebanho bovino em seis anos, de 24,9 milhões, em 2003, para 19 milhões no ano passado.
A causa principal da redução foi o abate excessivo de fêmeas em 2006 por causa da falta de gado para atender a demanda no período da entressafra e da descapitalização do produtor. Nogueira informa que o percentual de abate de matrizes chegou a 47% há cinco anos. “Só vamos normalizar em cinco anos”, reforçou o presidente da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Eduardo Ridel.

Consumo
Mesmo pagando 20% mais caro pelo quilo, o consumidor brasileiro está consumindo mais carne. De acordo com a Famasul, nos últimos cinco anos, o consumo per capita de carne brasileiro teve acréscimo de 23%, de 37 para 43 quilos por ano por habitante. Mas a média ainda está longe da registrada na Argentina, onde a per capita é de 73 kg/ano.
Dois fatores contribuem para a manutenção do quadro de falta de bovinos para abate. Segundo a assessora econômica da Famasul, Adriana Mascarenhas, houve aumento no poder de compra da população e das exportações.

Alta
Este cenário contribui, de acordo com Ridel, com o viés de alta na cotação da arroba do boi gordo. O vice-presidente da Bolsa Brasileira de Mercadorias, Carlos Dupas, prevê que a cotação deverá atingir R$ 90 neste ano. Ele diz que a valorização não deverá ser maior porque o Real está valorizado diante do dólar, o que deverá frear as exportações.

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