Sábado, 18 de Novembro de 2017

Erupção de vulcão muda e tráfego aéreo deve voltar

20 ABR 2010Por 21h:03

BRUXELAS

 

A Comissão de Transportes da União Europeia permitiu a abertura parcial do espaço aéreo sobre o continente após se reunir ontem para discutir soluções para a crise aérea que já dura cinco dias por conta de uma nuvem de cinzas expelida por um vulcão do sul da Islândia e prejudica as condições de voo.

A previsão é de que a situação melhore após a tomada das medidas, pelas quais as companhias aéreas e os aeroportos pressionaram muito as autoridades. "A partir da manhã desta terça, deveremos ver mais aviões levantarem voo progressivamente", disse Siim Kallas, comissário de Transportes do bloco. E a previsão é de que a partir de quinta o tráfego aéreo no continente europeu seja normalizado, caso a emissão de cinzas siga diminuindo, anunciou a Eurocontrol, a agência europeia para segurança aérea.

É que, pela primeira vez, o vulcão na Islândia emitiu lava. "Vimos a erupção mudar de explosões de cinza para emissões de lava", disse Reynir Petursson, piloto de helicóptero que sobrevoou o vulcão. O piloto informou à France Presse que a nuvem que se via no momento sobre o local era composta muito mais de vapor do que de cinzas. A confirmação desta mudança significa que a nuvem de cinzas que impede a liberação do tráfego aéreo sobre vários países da Europa pode começar a se dispersar.

A comissão determinou três tipos de condições para o espaço aéreo – a zona não permitida, a zona de atenção, e a zona livre. Na primeira, imediatamente sobre a nuvem de cinzas, nenhum tipo de voo é permitido. Na segunda, os aviões podem operar, mas estão sujeitos a checagem em suas turbinas após os pousos, para verificar se não houve danos, enquanto a terceira área não tem restrições.

 

Menos cinzas

Controladores aéreos já pressionavam pela reabertura das rotas alegando que as erupções do vulcão Eyjafjallajokull pareciam perder força. As empresas do setor de voos e viagens sofrem com a crise, que representa milhões de dólares de perdas diárias desde quinta-feira. O caos aéreo é apontado como uma ameaça à recuperação econômica na Europa.

Autoridades britânicas afirmaram que as restrições aos voos podem ser retiradas nesta terça-feira na Inglaterra e no País de Gales, permitindo voos em aeroportos de Londres, como o Heathrow. Elas informaram que a restrição seguirá em vigor até as 3 horas (horário de Brasília) desta terça. "A erupção vulcânica diminuiu e o vulcão não está mais emitindo cinzas a altitudes que irão afetar o Reino Unido. Caso não haja mais emissões de cinzas significativas, nós estamos agora prevendo uma situação de melhoria contínua", afirmou a autoridade de tráfego aéreo do Reino Unido (NATS, na sigla em inglês). Uma porta-voz da Agência de Proteção Civil da Islândia também informou que o Eyjafjallajokull ainda estava em erupção, mas com a intensidade diminuindo.

A British Airways, uma das mais atingidas, afirmou que estava perdendo entre 15 milhões e 20 milhões de libras por dia em vendas e custos com passageiros que não podem voar. A companhia informou que realizou um teste ontem, sem registrar impacto das nuvens de cinza sobre o Reino Unido. A British Airways pediu ao governo britânico que decida se é seguro voar. A companhia opinou que uma proibição total ao tráfego aéreo era "desnecessária".

Funcionários do setor aéreo criticaram duramente parlamentares da União Europeia (UE) por não reagirem mais rápido à crise. Segundo eles, autoridades estão com excessivo zelo ao tomar medidas como fechar grandes áreas sem análises detalhadas das condições atmosféricas e dos supostos riscos. Autoridades do setor de aviação e especialistas em segurança disseram estar seguindo normas das Nações Unidas e levando em conta incidentes anteriores. As partículas de cinzas poderiam causar danos nos motores dos aviões.

Os espaços aéreos sobre Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, Alemanha, Hungria, Irlanda, Holanda, o norte da Itália, Polônia, Romênia, Eslovênia, Suíça e partes de Ucrânia e Reino Unido permaneceriam fechados.

 

Custo

A Associação Internacional do Transporte Aéreo estima que as companhias pelo mundo estejam perdendo cerca de US$ 250 milhões por dia por causa das restrições. Mais de 80 mil voos haviam sido cancelados até o fim do dia de ontem. Nesta segunda, apenas 30% dos voos previstos na Europa decolaram, segundo a Eurocontrol, organização de segurança aérea europeia. Entre 8 mil e 9 mil operações deveriam ocorrer, do total de 28 mil previstas.

A Lufthansa informou ter recebido uma autorização especial de autoridades para realizar 50 pousos na Alemanha. Os aviões, vindos de Ásia, África e das Américas do Norte e do Sul, devem pousar hoje nos aeroportos de Frankfurt, Munique e Dusseldorf, afirmou um porta-voz. No total, eles devem transportar cerca de 15 mil passageiros.

 

Caça

Técnicos encontraram partículas de vidro acumuladas no motor de um caça F-16 da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) que fez um voo na Europa, continente afetado pela nuvem vulcânica. "[Caça] F-16 aliado estava voando e eles de fato encontraram um acúmulo de vidro", disse um funcionário do governo americano, que pediu anonimato. O avião afetado conseguiu aterrissar sem problemas.

"Este é um assunto seriíssimo, que num futuro não tão distante vai começar a ter um impacto real nas capacidades militares (...) se a questão das cinzas vulcânicas não desaparecer", afirmou. O oficial afirmou ainda que os EUA já restringiram os exercícios militares previstos e estudam os efeitos das cinzas nos aviões.

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