Sexta, 17 de Novembro de 2017

Episódio preocupante

17 FEV 2010Por 07h:34
No dia 9 de feverei ro, doi s detentos, de 27 e 28 anos, protagonizaram o que se pode chamar de fuga cinematográfica do Hospital Regional d e C a m p o G r a n d e , onde passa r i am por exames méd icos. Na fuga, levaram uma pistola do único policial que fazia a segurança, agrediram o PM e um aposentado e roubaram dois veículos. Seis dias depois, um dos fugitivos acabou sendo morto por policiais militares. Escondido sob uma cama, foi atingido por pelo menos três disparos. De acordo com as poucas informações liberadas pela polícia, o fugitivo resistiu à prisão, invadiu pelo menos seis residências e disparou cinco vezes contra os policiais, que revidaram e acabaram matando o bandido, que cumpria pena no Segurança Máxima por roubo e narcotráfico. Por seu passado e por conta das circunstâncias da fuga, está mais do que evidente que o chamado "playboy" representava risco para a sociedade e exatamente por isso os responsáveis pela segurança pública tinham o dever de agir com a máxima urgência e rigor. Por mais correta que tenha sido a conduta dos policiais desde a remoção dos detentos para o hospital, ambos jovens e com vigor físico, até o desfecho na noite de segunda-feira sob uma cama, feito uma criança amedrontada, o caso dá espaço para incontáveis suspeitas. Por que dois detentos ficaram sob escolta de apenas um PM? Qual o tipo de treinamento que este policial tem para lidar em situações como aquela? Já que estavam no interior do hospital, não seria mais lógico, seguro e eficiente que o PM solicitasse auxílio de atendentes especializados para prestar socorro ao presidiário que supostamente estava enfrentando algum mal súbito? Outro questionamento pode ser feito por conta da dificuldade de acesso às informações relativas ao confronto entre policiais e o fugitivo. É evidente que entre a vida de um PM e a de um reincidente no mundo do crime, qualquer pessoa de bom senso necessariamente precisa "torcer" pelo policial. Além disso, estava mais do que claro que o caso exigia o máximo de cautela e rigor. Mas, justamente por conta disso é que a transparência se fazia necessária, justamente para afastar a supeita de que alguma "queima de arquivo" tenha ocorrido. Mas, não foi isto que se verificou. Não existe qualquer evidência de que algum dos integrantes das forças de segurança tenha sido negligente ou conivente. Mas, ninguém pode negar que a provável falta de preparo, cuidado e profissionalismo tenham resultado nesta morte. E, como o segundo fugitivo ainda não foi recapturado, há motivos de sobra para temer que pessoas inocentes estejam correndo risco, pois foi exatamente isto que aconteceu tanto no hospital quanto na noite de segunda-feira, quando o presidiário foi morto.

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