Quinta, 23 de Novembro de 2017

Alzheimer

Epidemia silenciosa

4 SET 2010Por 23h:36
SCHEILA CANTO

Definida como “mal do século” ou “epidemia silenciosa”, a doença de Alzheimer é pouco conhecida na sociedade e por isso acaba, por vezes, tendo efeito devastador na família – que não consegue entender o problema – como também no doente que também se sente incapaz
de seguir em frente.

Um estudo da Academia Brasileira de Neurologia com o Ministério da Saúde aponta que as mortes por Alzheimer cresceram 1.428%  em Mato Grosso do Sul, de 1999 a 2008. Essa taxa de crescimento foi superior à media nacional e da região centro-oeste, que respectivamente marcaram aumentos de 586% e 1.109%.Há que se considerar que esse aumento no volume de óbitos deve-se à elevação da população idosa no Brasil e também no maior controle quanto aos registros da patologia, ressalta a médica- neurologista Márcia Chaves, coordenadora da campanha nacional de esclarecimento sobre a doença. Segundo a médica, o número poderia ser menor caso o diagnóstico fosse realizado precocemente. “Em média, a janela entre os primeiros sintomas e o diagnóstico correto é de cerca de três anos. Levando-se em conta que 95% das pessoas morrem nos primeiros cinco anos após as manifestações iniciais da doença, fica evidente a importância do diagnóstico, bem como o tratamento, que é gratuito, disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde”, defende a doutora Márcia Chaves.
A médica revela que apesar de cerca de “70% dos doentes com demência recém-diagnosticada terem doença de Alzheimer leve a moderada, apenas 52% recebem a prescrição de uma medicação específica no primeiro atendimento”. O relatório americano Treatment Algorithms in Alzheimer’s Disease (Algoritmos de Tratamento para Doença de Alzheimer) aponta que 66% dos pacientes de Alzheimer tomam antidepressivos como único tratamento na fase inicial da doença.
A neurologista credita parte dessa demora ao fato de que sintomas como perda de memória e dificuldades de planejamento e raciocínio sejam comumente associados às características naturais do envelhecimento e não de uma patologia e por isso ela ressalta que o Alzheimer não é uma consequência do envelhecimento, embora boa parte dos portadores estejam na terceira idade. Falta de oxigênio no cérebro ou mesmo estresse ou algum trauma psicológico ou depressão, se manifesta progressivamente, muitos dos seus sintomas surgem ao longo da evolução da doença.

Sintomas
A neurologista explica que o primeiro sintoma de que a pessoa possa estar com Alzheimer é a perda de memória, sobretudo de fatos recentes. Na sequência, a linguagem – ou como a pessoa se comunica – pode ser prejudicada, surge desorientação de tempo e espaço, até chegar à fase avançada da doença quando o paciente tem alucinações (ver coisas que não existem), perda de controle das necessidade fisiológicas e dificuldade para se alimentar. Outros indícios são: depressão, apatia, ansiedade, dificuldade com sono (troca dia pela noite), delírios (pensamentos anormais, ideias  perseguição, roubo, ciúmes, etc.).

Prevenção
Uma vez instalada, a doença não tem cura e é progressiva. Porém, há certas atitudes que podem ajudar a preservar a saúde mental e diminuir o risco de a pessoa vir a desenvolver a doença. Atividade regular, bom sono, boa alimentação, lazer, tomar remédios corretamente e ir ao médico regularmente.
No último ano, uma esperança para muitos que temem a doença: cientistas da França e do Reino Unido descobriram três genes (clusterina ou CLU, Picalm e CR1) que poderiam reduzir em até 20% seus índices de incidência na população. A professora Julie Williams, da Universidade de Cardiff, coordenadora da equipe do Reino Unido, afirmou na ocasião, após a publicação da investigação na revista científica Nature Genetics, que a descoberta destes três novos genes é o maior avanço conseguido na investigação ao Alzheimer dos últimos 15 anos.

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