Terça, 21 de Novembro de 2017

Entressafra eleva preço do leite em 17%

22 JUL 2010Por 07h:21
A entressafra derrubou a oferta de leite em Mato Grosso do Sul nos últimos meses, fazendo os preços do alimento aumentarem cerca de 17,6% em Campo Grande, conforme dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-CG), calculado mensalmente pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp-Anhanguera. O litro do tipo C, de saquinho, neste ano, já chegou a custar no período de safra – de outubro a março – em média, R$ 1,48 e atualmente está em torno de R$ 1,74.
Pesquisa feita pela equipe de reportagem do Correio do Estado em supermercados da Capital encontrou o produto cotado a até R$ 1,99. Segundo o coordenador do Nepes, Celso Correia de Souza, as maiores variações começaram a ocorrer em maio e junho, quando a seca foi mais intensa e houve escassez significativa de pastagem nas propriedades rurais. “Até setembro podemos esperar alta de pelo menos mais 30% porque estamos ainda na metade da entressafra”, prevê.
As indústrias do setor afirmam que nem mesmo o frio e as chuvas que ocorreram na última semana foram suficientes para melhorar os preços do leite, que está com oferta 60% menor que em épocas de safra. “Os laticínios estão enfrentado a pior entressafra dos últimos anos, pois a produção está menor que o normal de uma estiagem. Com menor produção, os preços ao consumidor devem aumentar mais nas próximas semanas”, confirma o proprietário do laticínio Imbaúba, Edgar Rodrigues Pereira.
O empresário já reduziu as escalas de produção de 60 mil para 30 mil litros processados ao dia e somente para atender o mercado interno, pois, a demanda do produto a outros estados, que era de 20 mil litros ao dia foi zerada. Com menos leite há menos trabalho dentro da indústria, o que normalmente leva a demissões mas, para não perder a mão de obra qualificada, tão difícil no setor, Pereira colocou em férias parte dos funcionários, evitando os cortes.

Inflação
A alta do leite preocupa especialistas por conta da inflação. O produto é considerado um dos alimentos mais importantes na composição do índice, por conta do seu alto consumo nas famílias brasileiras. O peso da bebida na formação do IPC-CG é o mesmo que o das carnes e tomate, conforme o Nepes.
O governo tem trabalhado para baixar o índice, fazendo alterações na taxa básica de juros, a Selic; portanto, se o leite sobe, a inflação pode não baixar, obrigando medidas mais agressivas. (AM)

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