Sábado, 25 de Novembro de 2017

Encham as talhas

23 JAN 2010Por FREI VENILDO TREVIZAN08h:20
Talhas são vasilhas de pedra podendo conter cada uma setenta a cem litros de água. Serviam para a purificação dos judeus antes das celebrações e das refeições. Numa festa de bodas em que o Mestre dos mestres também estava faltou o vinho. Sua mãe preocupada pede que faça algo. E ele diz: “Encham as talhas de água”. Estavam vazias. Não só as talhas. Existem também muitas mãos vazias suplicando ajuda e socorro. E existem outras que poderiam estar cheias e generosas distribuindo bens, alimentos, solidariedade e partilha. Poderiam estar erguendo os caídos, amparando os fracos, indicando caminhos e conduzindo a quem se encontre perdido. Existem mentes vazias andando desocupadas e desligadas da realidade. Não se animam em elaborar pensamentos voltados para o bem, para a verdade e para projetos de valor e de grandeza. Estacionam na superficialidade. Falta-lhes firmeza, convicção e decisão. Precisam de conteúdos que garantam segurança no que pensam e eficiência naquilo que precisam realizar. Mente vazia é sempre mente perigosa, pois não se sabe o que se passa. Existem palavras vazias. Palavras espalhadas sem conteúdo e sem seriedade. Palavras sem nexo e sem argumentos. Palavras que não edificam e nem convencem. Palavras muitas vezes envenenadas pela malícia e pela difamação. É preciso elaborar palavras mais convincentes e mais justas, palavras que revelem fidelidade aos princípios da ética e também da religião. Existem corações vazios. E isso é profundamente lamentável. Um coração frio e calculista é muito triste. Um coração vazio de sentimentos e de emoções é inadmissível. Um coração duro e seco ninguém suporta. Um coração incapaz de se tocar diante do sofrimento alheio é uma tragédia. E mesmo um coração insensível aos apelos de atenção, de acolhida e de carinho não se concebe. Um coração amargo e indiferente face aos acontecimentos que necessitam de atenção especial, de respeito e de solidariedade pode ser considerado desumano. Existem corações precisando ser trabalhados para reencontrarem a paz e a serenidade, para reencontrarem a sensibilidade e a humildade, para se abrirem novamente aos sentimentos de carinho e de ternura. Existem corações precisando se abrir especialmente para Deus, para sua graça, para sua bondade e para seu amor, corações que transbordem de compaixão e de simplicidade, sempre abertos para acolher e renovar a própria vida e a vida dos demais. Existem atitudes vazias. São atitudes sem nexo e sem objetivos claros. São atitudes que desagradam criando divisões e descontentamentos. São atitudes egoístas demonstrando prepotência e revelando incompetência. São atitudes nada agradáveis e que precisam ser trabalhadas. Pois lhes falta o bom senso e o equilíbrio. Falta-lhes rever seu conteúdo e seus objetivos. Na realidade falta iluminar essas atitudes com algo mais sério e mais profundo, como seja uma espiritualidade equilibrada e uma comunhão mais perene com o sagrado e com o divino. Então se transformarão em atitudes edificantes, transformadoras e redentoras. Com certeza o Mestre dos mestres está solicitando: “encham as mãos, as mentes, as palavras, os corações e as atitudes de um grande amor e das melhores bênçãos”.

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