Domingo, 19 de Novembro de 2017

Em sabatina, Serra ataca PT e Dilma faz discurso técnico

26 MAI 2010Por 08h:10
brasília

Durante encontro organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), no qual foram sabatinados ontem, os presidenciáveis José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) usaram discursos distintos para tentar agradar os representantes do setor empresarial. Enquanto Serra se focou em críticas ao governo, atacando as políticas fiscal e tributária, Dilma optou por uma fala técnica e ressaltou conquistas econômicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já Marina, assumidamente desconfortável ao lidar com números da indústria, acabou reproduzindo o slogan tucano de que o “Brasil pode mais”.

Primeira a falar, Dilma usou termos técnicos para ressaltar feitos do governo federal como “boa administração, controle de inflação e superávit primário” e dizer que, caso eleita, aprofundará mudanças. A ministra mostrou disposição para criar o ministério de micro e pequenas empresas e para fazer a reforma tributária. Ela citou aumento da classe média e, indiretamente, alfinetou o governo anterior, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “Pela primeira vez nos últimos vinte anos, o Brasil permite que as pessoas subam na vida”, disse.

Já Serra, que nas últimas semanas vinha adotando tom neutro, sobretudo em relação a Lula, fez críticas duras ao governo federal. O tucano, que chegou a falar no início deste mês que “Lula está acima do bem e do mal”, atacou as políticas econômica, cambial e tributária do governo, cutucando Dilma. “Não entendi o que a ex-ministra disse sobre política cambial. Entra governo, sai governo continuamos com os maiores juros do mundo. A maior carga tributária do mundo entre todos os países emergentes”, afirmou.

O tucano utilizou quase todo o tempo de sua fala, segundo ele feita de improviso, para criticar diversos pontos do governo Lula para as áreas de planejamento e infraestrutura. Serra criticou a demora do governo para incentivar a iniciativa privada a investir no setor aeroportuário. “Para investir em concessão tem que ter vontade política. Em Cumbica falta um terminal. O que é um terminal? É Um shopping center. A área privada faria tranquilamente, mas até hoje não foi feita a concessão”, declarou.

Já Marina, última a falar, estava desconfortável, tanto pelo horário quanto por não ser tão familiarizada com os números econômicos debatidos no evento. Em sua fala ao empresariado, Marina citou o slogan do tucano José Serra “O Brasil pode mais”. A pré-candidata voltou a afirmar que é preciso um novo projeto para o Brasil. “Se formos fazer mais do mesmo, teremos os mesmos resultados. E se tivermos os mesmos resultados, ficaremos no mesmo lugar. Nós podemos transitar para o País do século 21”, defendeu.

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