Quinta, 23 de Novembro de 2017

Primavera

Em plena seca, a natureza se renova na região pantaneira

30 AGO 2010Por 07h:40

Sílvio Andrade, Corumbá

Cruzando o Pantanal de carro percebe-se a densa floração dos ipês e dos carandás, os ninhais com filhotes de tuiuiús e outras aves, o acasalamento dos bichos, muitos répteis e a lenta vazante da cheia de janeiro a julho. Sobrevoando essa imensidão de verde e água, nem a densa névoa esconde o cor-de-rosa dos ipês bordando – na definição de um pantaneiro – o paraíso que já foi chamado de Mar de Xaraés.
É nessa época do ano, na borda da primavera, que também se reflete sobre a importância do bioma para a qualidade de vida do planeta e sua capacidade de suportar tamanha pressão – seca, cheia, desmatamento, assoreamento, caça, pesca e fogo – e se reproduzir ambientalmente. Seu papel seria de regulador climático, função ainda pouco conhecida pela Ciência, observam pesquisadores da Embrapa.
O equilíbrio diante dos distúrbios naturais e antrópicos, apesar da sua vulnerabilidade em razão dos impactos que ocorrem na parte alta da Bacia do Alto Paraguai, está relacionado ao nível de conservação constatado em recente estudo realizado por organizações ambientalistas. A planície inundável mantém 87% de sua cobertura vegetal natural, com a presença do homem e do boi desde 1740.
A alta capacidade de regeneração de um ecossistema, ainda não medida cientificamente, é chamada de resiliência (habilidade do sistema de absorver impactos preservando a mesma estrutura básica e os mesmos meios de funcionamento). Urbano Gomes Pinto de Abreu, pantaneiro e pesquisador da Embrapa Pantanal, observa: há vida vegetal mesmo em áreas com características desérticas.

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