Domingo, 19 de Novembro de 2017

Em entrevista, suspeito chora e diz que não sabe quem matou esposa

8 JUL 2010Por 09h:54
Preso numa cela sozinho pois tem curso superior –  é bacharel em direito mas nunca exerceu a profissão –  Luís  está agora apenas em companhia de quatro livros. Por duas vezes interrompeu a entrevista pois não conseguia falar em razão do choro. A primeira, quando falou do cheiro da esposa, “que eu nunca mais vou sentir” e a segunda quando disse amar Eliane, mesmo ela estando morta. “Eu a amo do mesmo jeito”.  

Há dois anos, Luís e Eliane estavam casados. O relacionamento foi marcado por ciúmes, discussões e inclusive registro de boletim de ocorrência por agressão mútua. “Depois do boletim, que registramos em 2009, ela começou uma psicanálise e eu tive sessões com psicólogo, por cerca de 9 meses. Mas o relacionamento sempre esteve marcado pelas desconfianças e quando decidimos nos separar foi por conta disso”, declarou. 

Sobre a noite do crime, Luís disse que foi a uma festa com Eliane, mas que os dois estavam separados havia três dias e que ele estava dormindo na loja. Eles foram no carro da arquiteta, ela no banco de passageiro e ele dirigindo o veículo. “Deixei meu carro estacionado perto do prédio (edifício Ilha Bela, na Avenida Mato Grosso). Fomos com o carro dela e na festa bebemos uísque” – tanto que ele diz nem se lembrar de horários naquela noite. “Depois da festa, seguimos no carro dela para uma cantina para comermos, mas como estava fechada decidimos ir embora. Quando chegamos em frente ao prédio eu quis descer, mas ela me impediu, brigamos, eu nem peguei o carro, fui embora a pé. Não sei o que aconteceu com a Eliane depois disso”.

De acordo com o delegado que investiga o caso, Wellington de Oliveira, o porteiro que estava em serviço no prédio Ilha Bela não viu o carro de Eliane chegando naquela madrugada. Outro depoimento que contradiz a versão de Luís é do vigia que faz ronda na área da loja e disse que só viu o carro de Luís estacionado no local depois das 4h, sendo que o casal deve ter saído da festa por volta de 0h. A quebra de sigilo bancário e telefônico foi solicitada pelo delegado que investiga o caso, mas até o fechamento da edição não havia sido concedida. (MR)

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