Sexta, 24 de Novembro de 2017

Eleições na TV

1 JUL 2010Por 06h:59
Dia 17 de agosto, uma terça-feira, começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Até lá a Copa do Mundo terá acabo há 36 dias. Vença quem vencer, será mais um capítulo na história dos torneios mundiais de futebol e o brasileiro, de torcedor fanático, vestirá a camisa de eleitor.
O fato é que até mesmo quem jura que odeia política, cedo ou tarde, entra no clima das eleições. Nem que seja para protestar e anular o voto.

As pedras da mídia já foram cantadas. Pelo pouco que o PT e o PMDB deixaram transparecer até o momento, a tática de cada lado poderá ser a seguinte: a coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores deve colocar Zeca do PT como o principal garoto-propaganda do candidato Zeca do PT.
 Se a Lei Eleitoral permitir externas, Zeca do PT vai para as ruas gravar e mostrar pessoalmente o que fez durante oito anos de governo. A publicidade vai ter espaço maior que o jornalismo nesta campanha.

As melhores armas do candidato petista são o poder de persuasão, a oratória e a emoção. Sem script e de improviso, ele vai gravar diante de obras, rodovias, fóruns, prédios, escolas e pontes apontando o que fez.
Já a coligação encabeçada pelo PMDB deve ser mais protocolar e investir no formato jornalismo.

O governador André Puccinelli deverá gravar suas participações em estúdio. A tática será bater insistentemente na tecla que em quatro anos Puccinelli fez muito mais por Mato Grosso do Sul que o concorrente fez em oito anos. Sua campanha será técnica.
Puccinelli deve investir neste mote, como já está fazendo em spots de rádio e tevê com o slogan: nunca se fez tanto pela agricultura familiar [exemplo] em tão pouco tempo. A ideia é repetir “nunca se fez tanto em tão pouco tempo”, seja qual for o objeto da propaganda.

Televisão faz a diferença. A briga pelo apoio dos partidos menores nada mais é que a reivindicação da parcela maior de tempo de exposição no rádio e, principalmente, na tevê. Independente da eficácia de marketing, leva a melhor quem aparece mais.
Nestas eleições os números vão ser convocados para convencer que um lado fez mais que o outro. Prepare-se para ver tabelas, gráficos e outros recursos do gênero na propaganda eleitoral gratuita.

Basicamente, as duas campanhas devem usar estratégias de marketing, táticas, locutores e apresentadores de disputas passadas.
O formato do programa na televisão de cada candidato é a única coisa razoavelmente previsível para a altercação deste ano. Peleja que tem tudo para ser resolvida apenas no segundo turno.
E vai ser pelo segundo turno que o PT vai lutar para chegar. Afinal, somente no segundo turno os tempos de exposição se igualam na televisão. É outra eleição.

Evidentemente, o PMDB vai jogar todas as cartas para que isso não aconteça e tentar fechar a fatura no dia 3 de outubro.
A diferença de 411 votos nas eleições de 1996 para a prefeitura de Campo Grande, em favor do atual governador na disputa com Zeca do PT, ainda pode estar mais presente na memória política que muita gente imagina. E será este fator que fará o termômetro da eleição subir muito em Mato Grosso do Sul.
 
PAULO RENATO COELHO NETTO, jornalista, pós-graduado em Marketing.

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