Quarta, 22 de Novembro de 2017

Eleição para deputado exige quase 160 mil votos em MS

31 MAI 2010Por 08h:47
Fernanda Brigatti

A eleição de deputados federais e estaduais, em Mato Grosso do Sul, neste ano, será mais difícil. Para eleger um parlamentar para a Câmara dos Deputados, os partidos e coligações precisarão de cerca de 158 mil votos. À Assembleia Legislativa, o mínimo deve ficar em 53 mil votos para cada deputado estadual.
Estimativa realizada pelo Correio do Estado, com base na previsão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) sobre a evolução do eleitorado em 2010, aponta que partidos e coligações precisarão de quase 10 mil votos mais que em 2006 para eleger um deputado federal. Na disputa por vagas à Assembleia Legislativa, a previsão é que a evolução do coeficiente eleitoral demande 3 mil votos a mais que na disputa anterior.
O coeficiente eleitoral é fundamental para partidos decidirem quais coligações integrar para terem mais chances de eleger deputados. A rigor, o número que representa o coeficiente de cada pleito só é definido depois de computados os votos válidos da eleição, que compreendem os votos nominais somados aos votos de legenda. Mas, com base em números das eleições anteriores e estimativas do eleitorado, candidatos e partidos calculam quantos votos serão necessários para conseguir uma vaga na Câmara ou na Assembleia e quais alianças tornam a chapa mais competitiva.
Em 2006, para eleger um deputado federal, os partidos e coligações precisaram de 149.839 votos. Já o coeficiente eleitoral para deputado estadual foi de 50.801, em um ano cujo eleitorado foi de 1.561.181, com comparecimento de 82,56%.
Para 2010, o TRE estima que o eleitorado de Mato Grosso do Sul ficará entre 1,63 milhão e 1,65 milhão de pessoas. Considerando média de 1,64 milhão de eleitores, 18% de abstenção e 5% de votos brancos e nulos (média das eleições de 2002 e 2006), os votos válidos estimados para este ano seriam 1.262.800. Com base nesses números, o coeficiente eleitoral ficaria em 52.616 votos para eleger um deputado estadual e 157.850 para um representante na Câmara Federal.

Coligações
Até o dia 30 de junho, os líderes dos partidos negociam a composição de suas chapas proporcionais. Em alguns casos, a corrida pela eleição de parlamentares tem abalado a harmonia de coligações praticamente fechadas na disputa majoritária. Caminhando com o PT na pré-campanha, o PDT indicará o deputado federal Dagoberto Nogueira a uma das vagas da disputa pelo Senado. Os pedetistas não querem, no entanto, compor chapa com petistas na disputa proporcional e estudam a possibilidade de sair com chapa pura.
Avaliada por alguns como equívoco, a pretensão do PDT é repetir, nas eleições deste ano, o feito de 2006: eleger, sozinho, um deputado federal e três estaduais. Naquele ano, a sigla elegeu Dagoberto para a Câmara Federal e Onevan de Matos, Ary Rigo e Antonio Braga à Assembleia. O quadro hoje, no entanto, é diferente. Rigo e Onevan deixaram a legenda e migraram para o PSDB, depois de um racha pela disputa do diretório e, tacitamente, pelo comando das negociações das eleições deste ano.
Dagoberto, que sozinho teve 97.803 votos em 2006, estará na disputa pelo Senado, e não será o puxador de votos da chapa proporcional. No âmbito estadual, Rigo e Onevan tiveram 34,7 mil e 33,8 mil votos cada um, em um pleito cujo coeficiente eleitoral passou dos 50 mil votos. E neste ano, estarão puxando votos para outra coligação.
Para Dagoberto, presidente regional do PDT, o partido tem condições de emplacar outros nomes. A resistência do PDT em coligar com o PT na proporcional considera o fato de os deputados federais Vander Loubet (PT), Antonio Carlos Biffi (PT) e Antonio Cruz (PP) já terem praticamente garantidas suas reeleições. Apesar de não oficializada, a aliança com PP é tida como certa pelo PDT. Em 2006, Vander teve 118.529 votos, seguido de 57.464 de Antonio Cruz e 55.179 de Biffi.
Do outro lado, o PSDB, que agora abriga Rigo e Onevan, deve repetir a aliança de outros anos, como poucas modificações. Em 2006, os tucanos disputaram vagas na Câmara dos Deputados ao lado de PMDB, PSC, PR, PPS, DEM e PMN. A coligação elegeu, então, quatro parlamentares: Waldemir Moka (PMDB), Waldir Neves (PSDB), Geraldo Resende (na época, pelo PPS, hoje no PMDB) e Nelson Trad (PMDB). Desses, somente Resende deve estar na disputa deste ano. Moka, grande puxador de votos da chapa, com 100,6 mil, deve concorrer ao Senado. Waldir Neves (78.115 votos) é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Nelson Trad (63.694 votos) se aposentará, deixando a vaga para o filho, o advogado Fábio Trad, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Estado. (Colaborou Maria Matheus)

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