Sexta, 24 de Novembro de 2017

Ecletismo marca a 7ª edição do FAS

3 MAI 2010Por 00h:01
OSCAR ROCHA, ESPECIAL DE CORUMBá


O Festival América do Sul, que encerrou ontem, em Corumbá, com show de Renato Teixeira, apresentou, no sábado, surpresas e momentos de muita empolgação ao longo da noite. A primeira atração, no Palco Brasil, foi o grupo campo-grandense Brasilidade, especializado em samba de vários períodos. Na sequência, o Jogando Tango, formação de São Paulo, mostrou clássicos do ritmo argentino por meio de intervenções de contrabaixo acústico, violão e sanfona.

A formação participa de um núcleo de divulgação de tango no Brasil, juntamente com o Puro Guapo, que ano passado esteve em Corumbá. Se não inovou, pelo menos, causou boa impressão e foi bastante aplaudido por cerca de 300 pessoas. Depois os paraguaios dos Los Ojeda subiram ao palco. Os músicos formam um bom grupo de baile, com o lado bom e ruim que esta classificação pode ter. Iniciaram, repassando antigas guaranias e polca num andamento pop. Logo depois passearam pela cumbia, cachaca, sertanejo e pop rock brasileiro. A seleção causou estranheza, mas a competência instrumental segurou o show. Mesmo assim fica a impressão que o festival perdeu a concepção original na escalação das atrações musicais estrangeiras. Para um festival que já teve Fito Paez, Pedro Aznar, entre outros, na seleção, estranha apenas Jogando Tango e Los Ojeda como convidados.

A noite no Palco das Américas iniciou com Roberta Sá e seus “sambas classe média”. A cantora, uma das mais talentosas da nova geração, trafega por caminho percorrido por outras artistas nacionais, como Marisa Monte, por sinal, o vocal de Roberta lembra muito esta em alguns trechos. No caso da escolha do repertório, prevalece o samba domesticado, que cai bem em festas universitárias e festivais ecléticos. Não há erro, incluindo os covers – “Pelas tabelas”, a quase esquecida canção de Chico Buarque, feita na época da redemocratização do País, foi um dos achados da noite. O público, inicialmente, ficou entre o curioso e o disperso. Aos poucos, Roberta ganhou a noite e conquistou novos admiradores. O domingo começara quando o Monobloco iniciou sua performance. O grupo é um dos mais curiosos da cena musical brasileira. Era apenas um bloco de carnaval que ganhou corpo como atração pop e hoje viaja o mundo. A ideia é muito simples: colocar batucada em canções distintas como “Anunciação”, de Alceu Valença, e “Rap da felicidade”, de Cidinho e Doca, passando por “Primavera”, de Cassino.

 O resultado é uma festa empolgante com 19 músicos em ação. Não houve espaço para dispersão. A Praça Generoso foi controlada pelo grupo por quase 2 horas. A multidão, a maior do festival, não queria deixar o grupo sair. Como muito bem atentou um presente, o Monobloco moderniza os velhos grupos que animavam bailes de carnaval. Sem a ditadura de um único ritmo, a folia foi completa com muito ecletismo. Fechou o quarto dia do festival, às 3 h, da maneira mais adequada, com a quase totalidade do público dançando.

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