Cidades

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E o sul do Mato Grosso foi às armas!

E o sul do Mato Grosso foi às armas!

Redação

09/07/2010 - 08h02
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9 de julho é feriado em São Paulo. É quando se comemora o início da Revolução Constitucionalista de 1932. Tudo para em respeito aos que lutaram e tombaram nesse conflito, que não visava à separação de São Paulo do Brasil (como difundiu a propaganda difamatória de Getúlio Vargas), mas o contrário. Irrompeu-se a luta armada buscando uma nova Constituição para o país, para tirá-lo do atraso, da insegurança jurídica e do despotismo federal pós-Revolução de 30.

 O coração bandeirante ainda bate forte, 78 anos depois, em razão dos feitos de seu povo que, em alguns pontos, antecipou os acontecimentos que ocorreriam quase dez anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos da América: toda a  economia voltada para a guerra; mulheres substituindo os  homens em tarefas industriais, pois estes estavam nos campos de batalha e o mais emocionante, a mobilização voluntária de toda a sociedade para o conflito. Em 3 dias, mais de 30.000 homens se alistaram nas fileiras paulistas!
 São Paulo, em defesa da Constituição, produziu, improvisou e adaptou de tudo: granadas, capacetes, munições, morteiros e canhões. Uma imensa rede de civis auxiliava os soldados, não deixando que nada lhes faltasse, até o limite dos suprimentos, cuja escassez foi um dos motivos de os paulistas terem perdido o conflito. Senhoras cosiam meias e toucas, pois era julho, inverno. Escoteiros levavam correspondências. E é justamente um escoteiro o mais jovem soldado morto em combate na Revolução de 32,  ALDO CHIORATTO, de 9 anos e meio de idade, morto durante bombardeio aéreo em Campinas.

 Entretanto, poucos se lembram que não só São Paulo foi às armas. O sul do Mato Grosso também foi! Campo Grande, Bela Vista, Ponta Porã, Porto Murtinho, Ladário, Três Lagoas, Paranaíba, Coxim enviaram tropas ou foram palcos de combates nos quais até aviões foram utilizados em ataques às tropas adversárias.

 Alguns historiadores chegam a citar mais de 3.000 homens envolvidos diretamente nas lutas no território do Estado de Maracaju, nome adotado pelo sul do Mato Grosso durante o conflito. Era o sonho divisionista que se concretizava por via das armas e que durou enquanto duraram suas munições: três meses.

 E justamente por conta da necessidade de abastecimento; em virtude de o porto de Santos ter sido bloqueado por navios de guerra leais a Vargas, é que restou como a única alternativa paulista de abastecimento e escoamento a utilização da antiga rota de suprimentos das terras localizadas no centro da América do Sul: Rio Paraguai-Rio Paraná-Estuário do Prata-Oceano Atlântico, cujo principal ponto logístico possível de controle pelos constitucionalistas era a cidade de Porto Murtinho.

 Para lá se dirigiu a famosa Coluna de Bronze, formada por constitucionalistas do sul do Mato Grosso, que utilizaram dois canhões de montanha franceses Schneider, de 75mm. Como parte do suporte paulista ao avanço de seus aliados mato-grossenes para tomar a cidade, enviou-se um caça Curtiss Falcon, que atacou as tropas federais nos arredores de Porto Murtinho. Dias antes, os paulistas já haviam bombardeado a Base Naval de Ladário, com o mesmo tipo de aeronave.

 As tropas legalistas, com mais de 1.200 combatentes, contra-atacavam os constitucionalistas da Coluna de Bronze com pesado fogo dos canhões e morteiros do Monitor Fluvial Pernambuco. Segundo cronistas da época, como Umberto Puiggari, a batalha por Porto Murtinho a adjacências deixou mais de 300 mortos e a cidade parcialmente destruída.

 Já as forças que combateram em Três Lagoas e Paranaíba conseguiram impedir que reforços do norte do Mato Grosso e Goiás cercassem as forças bandeirantes. J. Barbosa Rodrigues comenta que ali também os combates foram ferozes.
E em território paulista, no teatro conhecido como Frente Sul, forças do Batalhão Taunay, de Campo Grande e do 11º Regimento de Cavalaria, de Ponta Porã, lutaram para impedir que tropas vindas do sul do país entrassem em São Paulo.
Com efeito, 9 de Julho é uma data que também afetou a vida dos habitantes das terras hoje sul-mato-grossenses. Segundo o ex-Governador de Mato Grosso do Sul, Wilson Barbosa Martins, o clima na cidade de Campo Grande era de empolgação. Os professores iam dar aulas de farda e capacete. Mais de 800 homens se apresentaram para alistamento num único dia.

Os combatentes do sul do Mato Grosso eram em sua maioria, soldados-cidadãos: homens comuns, de diversas profissões. Havia brasileiros e paraguaios; descendentes de japoneses, libaneses e alemães; índios, negros, brancos, pardos. Foi a nossa pequena guerra mundial, na qual todos os povos que aqui moravam pegaram em armas para a defesa da legalidade. Como lembra Puiggari, a insegurança jurídica no sertão sul do Mato Grosso era tamanha que até juízes eram intimidados com os famosos “saltos”: sua transferência de comarca quando incomodava algum apadrinhado do governo getulista.
Mas a superioridade numérica governista era evidente e depois de três meses de combates, São Paulo capitulou. No início de outubro de 1932, os paulistas cessaram fogo... mas o sul do Mato Grosso não. Aqui a luta durou até o fim daquele mês, quando a cidade de Bela Vista se entregou ao Tenente-Coronel Francisco Gil Castelo-Branco.
E diferente de São Paulo, lamentavelmente em Mato Grosso do Sul, especialmente em Campo Grande, pouca coisa existe hoje que lembre estes feitos. Daquela época ainda estão de pé (e não se sabe até quando) o prédio do Quartel-General, na Avenida Afonso Pena, de onde partiram as primeiras ordens do General de Brigada Bertholdo Klinger, Comandante Militar do Movimento; a loja Maçônica da Avenida Calógeras, que sediou o Governo do Estado de Maracaju, tendo como Governador o Dr. Vespasiano Martins; o canhão Schneider de 75 mm na frente do 2º/9º Bsup, que acompanhou a Coluna de Bronze; o quartel do 18ºBlog, que sediou o 18º BC, cujos soldados lutaram bravamente em diversas frentes. Será que tais monumentos não mereceriam ao menos uma placa indicativa? Fazendo justiça ao prédio maçônico, ali há uma, colocada por iniciativa própria da entidade. Mas e nos demais pontos?

 Enfim, mais um 9 de Julho em São Paulo, quando os paulistas honram seus combatentes-cidadãos. Mais um 9 de Julho em Campo Grande, que parece fazer questão de esquecer sua história de pouco mais de 100 anos, por descaso.
 
Luiz Eduardo Silva Parreira, Advogado
[email protected]

Alagamento

Família enfrenta chuva e alerta motoristas em via alagada de Campo Grande

Moradores da Vila Popular enfrentaram o temporal para sinalizar trecho alagado próximo ao Córrego Imbirussu e evitar acidentes na região oeste da Capital.

15/10/2026 19h14

Moradores enfrentaram a chuva para sinalizar trecho alagado e alertar motoristas na Vila Popular, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15).

Moradores enfrentaram a chuva para sinalizar trecho alagado e alertar motoristas na Vila Popular, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15). Foto: Foto enviada à redação

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Em meio à forte chuva que atingiu Campo Grande ao longo do dia e no início da noite desta quinta-feira (15), uma família decidiu enfrentar o temporal para evitar que motoristas entrassem em uma área alagada na Vila Popular, região oeste da Capital.

Mesmo debaixo de chuva, os moradores permaneceram na via para alertar quem passava pelo local sobre os riscos provocados pelo acúmulo de água nas proximidades do Córrego Imbirussu.

A situação foi registrada por volta das 18h, na região da Avenida Rádio Maia com a Rua Antônio Sobreira. A fotografia encaminhada ao Correio do Estado apresenta como localização a Avenida José Barbosa Rodrigues, na altura do número 115, também na Vila Popular.

Nas imagens, é possível observar pelo menos cinco pessoas reunidas na via, algumas protegidas por guarda-chuvas, enquanto motociclistas aparecem nas proximidades.

Galhos de árvores também estão espalhados sobre o asfalto molhado, em meio aos transtornos provocados pela chuva.

Segundo informações repassadas à reportagem, a mobilização começou depois que os moradores perceberam que a água havia tomado parte da via, oferecendo riscos aos condutores que tentassem atravessar o trecho.

Preocupados com a possibilidade de acidentes, integrantes da família passaram a orientar os motoristas a não avançarem pela área alagada, na tentativa de impedir que veículos ficassem presos na água ou fossem surpreendidos pelas condições da pista.

A atitude chamou a atenção de quem passava pela região. Em relato encaminhado ao Correio do Estado, uma testemunha destacou a iniciativa da família, que permaneceu na rua durante o temporal para ajudar a proteger os condutores.

O episódio evidencia os riscos enfrentados por motoristas e moradores durante as chuvas intensas, especialmente em trechos próximos a córregos, onde o acúmulo de água pode comprometer a circulação de veículos.

Moradores enfrentaram a chuva para sinalizar trecho alagado e alertar motoristas na Vila Popular, em Campo Grande, nesta quinta-feira (15).Água avança sobre trecho próximo ao Córrego Imbirussu, na Vila Popular, durante chuva intensa em Campo Grande. Foto: Foto enviado à redação

Durante períodos de chuva intensa, o aumento do volume de água e as dificuldades de escoamento podem representar riscos para motoristas, motociclistas e pedestres, principalmente em trechos mais baixos das vias.

A situação registrada nesta quinta-feira evidencia a preocupação dos próprios moradores com a segurança de quem circula pela região.

Outubro mais chuvoso

Em apenas 15 dias, Campo Grande já registrou mais chuva do que a média histórica para todo o mês de outubro. Levantamento realizado a partir de registros meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta um acumulado de 207,6 milímetros até as 16h desta quinta-feira (15), volume aproximadamente 38% superior à média mensal de 150,6 milímetros.

A diferença chega a 57 milímetros, mesmo faltando 16 dias para o encerramento do mês. O resultado evidencia a intensidade das chuvas na primeira quinzena de outubro, marcada por temporais e grandes volumes de água concentrados em poucas horas.

Somente nesta quinta-feira, foram registrados 67,6 milímetros de chuva até as 16h30, segundo o Inmet. Para efeito de comparação, a média histórica de outubro, calculada pelo instituto com base nos registros de 1981 a 2024, é de 150,6 milímetros para o mês inteiro.

 

Habitação Popular

Campo Grande anuncia 352 apartamentos e prevê sorteio no início de 2027

Com investimento previsto de R$ 72,2 milhões, novos conjuntos habitacionais serão construídos nos bairros Leblon e Tarumã; unidades terão dois quartos e serão destinadas a famílias de baixa renda

15/10/2026 18h28

Campo Grande terá 352 novos apartamentos populares nos bairros Leblon e Tarumã, com sorteio previsto para o início de 2027; imagem ilustrativa de conjunto habitacional em construção.

Campo Grande terá 352 novos apartamentos populares nos bairros Leblon e Tarumã, com sorteio previsto para o início de 2027; imagem ilustrativa de conjunto habitacional em construção. Foto: Prefeitura de Campo Grande.

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A Prefeitura de Campo Grande anunciou, nesta quinta-feira (15), a construção de 352 novos apartamentos populares em dois bairros da Capital, com investimentos previstos de R$ 72,2 milhões. Os imóveis serão destinados a famílias de baixa renda, e a previsão é de que o sorteio para selecionar os beneficiários aconteça no início de 2027.

A autorização para viabilizar os empreendimentos foi assinada pela prefeita Adriane Lopes (PP). A iniciativa envolve uma parceria entre os governos federal, estadual e municipal e busca ampliar o acesso à casa própria em Campo Grande, especialmente para famílias que ainda não possuem imóvel.

Os apartamentos serão distribuídos em dois conjuntos habitacionais: o Condomínio Residencial Leblon, com 192 unidades, e o Condomínio Residencial Zélia Gattai, com outras 160. Ambos terão imóveis com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço.

Durante o anúncio, a prefeita confirmou que a seleção dos futuros moradores deverá ocorrer no próximo ano.

"Estamos assinando um contrato para a construção de mais 352 novos apartamentos. É moradia digna para a população da nossa cidade. Serão sorteados pela Agência de Habitação no início de 2027. A gente segue com muito trabalho", afirmou Adriane Lopes.

Somados, os empreendimentos representam um investimento de R$ 72,2 milhões. A maior parte dos recursos previstos será destinada ao Residencial Leblon, responsável por aproximadamente 55% do valor total anunciado.

A construção dos conjuntos habitacionais também poderá movimentar o setor da construção civil na Capital, principalmente pela demanda por trabalhadores, materiais de construção e serviços durante a execução das obras.

Além da atividade econômica, os projetos fazem parte das ações de enfrentamento ao déficit habitacional, situação que envolve famílias sem acesso a moradias adequadas ou que precisam comprometer uma parcela elevada da renda para conseguir um lugar onde morar.

Como será o sorteio dos apartamentos?

A previsão é de que o sorteio dos imóveis seja realizado no início de 2027 pela Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha). Conforme anunciado pela prefeita Adriane Lopes (PP).

Até o momento, a Prefeitura não divulgou as datas de inscrição nem os critérios que serão utilizados para selecionar as famílias beneficiadas. Também não foi informado se os interessados precisarão realizar um novo cadastro ou se serão considerados os registros já existentes.

Os empreendimentos ainda não possuem cronograma de obras e previsão de entrega divulgados. A seleção dos beneficiários ocorrerá antes da disponibilização dos imóveis, que serão destinados a famílias de baixa renda.

Novos imóveis buscam reduzir déficit habitacional

A ampliação da oferta de moradias populares ocorre em um cenário de demanda por habitação em Campo Grande, especialmente entre famílias que enfrentam dificuldades para adquirir um imóvel no mercado imobiliário.

Para essa parcela da população, programas habitacionais representam uma alternativa de acesso à moradia, embora a participação e a contemplação dependam das regras estabelecidas para cada empreendimento.

No caso dos residenciais Leblon e Zélia Gattai, a proposta anunciada é disponibilizar apartamentos com espaços básicos para atender às necessidades das famílias contempladas.

A Prefeitura apresenta a iniciativa como parte das ações destinadas à redução do déficit habitacional e à expansão da oferta de moradias de interesse social na cidade.

A próxima etapa será o detalhamento das condições de participação e do cronograma dos empreendimentos, informações que deverão esclarecer quando os interessados poderão concorrer aos apartamentos e qual será a previsão de entrega das unidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

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