Sábado, 18 de Novembro de 2017

Dura na queda

14 FEV 2010Por 04h:43
Entrar no estúdio para gravar é, para Luciana Braga, quase como ir ao Maracanã e assistir a um jogo de futebol. A atriz, que interpreta a sanguinária Laila em “Poder paralelo”, da Record, nunca dividiu cenas com tantos homens como agora. “Minha personagem é a única mulher que tem comportamento violento no núcleo de mafiosos. Quando vejo, já estou coçando o saco junto com eles”, brinca. Luciana já se acostumou a interpretar mulheres mais jovens nos folhetins. E, por isso mesmo, não se espanta com a possibilidade de explorar sua sensualidade aos 47 anos. Algo que a atriz espera fazer em suas próximas aparições no vídeo. “Enquanto o sexo estiver vivo em mim, estará também nas minhas personagens. Quando era menina, a cinquentona era uma avó. Hoje, é a Madonna”, justifica. A Laila de “Poder paralelo” é uma personagem com traços bem masculinos. Foi difícil encontrar o tom certo para não perder a feminilidade? R – Essa foi a maior dificuldade que enxerguei na hora de construir a Laila. A novela aborda um universo masculino e quase todas as minhas cenas são com homens. Por isso mesmo percebi, logo no início, que exagerei um pouco. Mas foi algo entre dois ou três capítulos porque, assim que me vi na tela, encontrei um equilíbrio. O barato desse trabalho é que a minha maior dificuldade é também o principal atrativo desse papel. Eu faço uma mulher, mas trata-se de um personagem do gênero masculino. Tanto que quando li a sinopse, achei que não seria chamada por não me enquadrar nas características físicas previstas. Que características eram essas e como você entrou na novela? R - Quando surgiu a Laila, na minha imaginação, vi a Betty Lago. Uma pessoa grande, com o cabelo construído, bem alta. E eu sou absolutamente o oposto. Mas estou nessa carreira há 25 anos e tentei construir essa Betty Lago que poderia residir em mim. Acho que, por menorzinha que eu seja, me torno grande em cena. Sobre entrar na novela, assim que assinei com a Record essa escalação não estava definida e pedi para fazer a personagem. Nem sabia se ia rolar, mas o Ignácio Coqueiro confiou em mim e, na minha opinião, foi excelente para minha carreira. A Laila é hoje um dos melhores personagens da história. Como o público reage às suas cenas? R – As pessoas conversam muito comigo nas ruas. A novela está fazendo muito sucesso. O que me deixa surpresa é a quantidade de crianças que me pedem autógrafos e elogiam a Laila. Tenho uma filha de 10 e outra de 8 anos e não deixo elas assistirem. A história é pesada para a idade delas. Mas vi que muitos pais não agem assim porque o retorno do público infantil é impressionante. Você tinha saído do ar há pouco tempo encarnando uma outra vilã, a amargurada Denise de “Negócio da China”, da Globo. Sentiu receio de fazer mais uma personagem má? R – Nem um pouco! Sou atriz e quero papéis que exijam muito de mim. Quanto mais complexo é o personagem, melhor. E desde que li a sinopse ficou claro que se tratava de um trabalho completamente diferente. Depois de “Negócio da China” e “Poder paralelo” percebi que o público gosta mesmo é dos vilões. Poucas semanas depois do término de seu contrato com a Globo, você assinou por três anos com a Record. O que a fez assumir esse vínculo? R - Aconteceu. Naquela hora, me interessava um contrato longo e a Globo não se manifestou. Mas a minha trajetória na tevê foi sempre assim. Estreei na Globo, fiz Manchete, voltei para a Globo, saí para atuar no SBT e depois voltei de novo para a Globo. Sou uma atriz de teatro e de tevê e estarei onde for conveniente para mim em cada momento. Quando assinei, foi interessante contar com essa estabilidade financeira.

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