Domingo, 19 de Novembro de 2017

FURACÃO

Dourados fica sem comando com as prisões

2 SET 2010Por 21h:44
Antonio Viegas, de Dourados
Maria Matheus, de Campo Grande

Após a prisão do prefeito, do vice e do presidente da Câmara Municipal, a prefeitura de Dourados ficou sem ninguém no comando. O próximo na linha sucessória depois do prefeito Ari Artuzi (PDT), do vice Carlinhos Cantor (PR) e do vereador Sidlei Alves (DEM) é o juiz Eduardo Machado Rocha, diretor do Fórum de Dourados. O magistrado está em férias. Até a noite de ontem, ninguém havia assumido a administração municipal.
Rocha disse ontem ao Correio do Estado que já se colocou a disposição do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para assumir a prefeitura. Ele desmarcou  compromisso em Brasília e está aguardando uma posição do TJ. Por meio da assessoria de imprensa, o Tribunal informou no final da tarde de ontem, que até aquele momento não havia “pedido do Ministério Público para o TJ analisar a situação administrativa de Dourados” e o Tribunal só age quando provocado.
O promotor Paulo Zeni, do Ministério Público Estadual em Dourados, explicou que é importante esperar o desenrolar dos fatos, como o fim do prazo da prisão temporária (cinco dias), para tomar qualquer providência em relação ao comando da prefeitura. O promotor lembrou que dependendo das declarações dos acusados e testemunhas, a PF pode pedir a prorrogação da prisão temporária por mais cinco dias ou solicitar a prisão preventiva. Conforme o promotor, a substituição do prefeito depende desses fatores. Até o início da noite de ontem, o Delegado Braúlio Gallone, responsável pelas investigações, não tinha ouvido todos os presos.
Câmara desmantelada
Na Câmara Municipal restaram apenas três dos 12 vereadores. Gino Ferreira (DEM) disse ao Correio do Estado que ele e os vereadores Delia Razuk (PMDB) e Dirceu Longhi (PT) vão aguardar posicionamento da Justiça antes de tomar qualquer decisão. “Nós não sabemos ainda como vai ficar esta situação, então ainda não adianta se reunir”, comentou.
Foram presos os vereadores Humberto Teixeira Júnior, Edivaldo Moreira e Aurério Bonatto, do PDT; Júlio Artuzi (PRB); José Carlos Cimatti Pereira (PSB), Zezinho da Farmácia (PSDB) e os democratas Sidlei Alves, Marcelo Barros e Paulo Henrique Bambu.

Intervenção
Além de ser suspeito de participar de organizações criminosas desmanteladas pela Polícia Federal nas Operações Owari (deflagrada em julho do ano passado) e Uragano, Artuzi enfrenta processo de pedido de intervenção estadual pela falta de pagamento de precatórios. Seis dos 15 desembargadores do órgão especial do Tribunal de Justiça votaram pelo deferimento do pedido de intervenção. O desembargador Rubens Bergonzi Bossay pediu vistas e o julgamento foi adiado para a próxima quarta-feira. Se autorizada a intervenção, o governador André Puccinelli (PMDB) deve indicar um nome para assumir o comando da prefeitura de Dourados.

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