Sexta, 24 de Novembro de 2017

Doses de adrenalina

23 JUN 2010Por 07h:58
Arcângela Mota, TV Press

Em época de Copa do Mundo, o esporte praticamente monopoliza a programação da tevê. Esse domínio só não é completo por causa das novelas. Mas nem mesmo a dramaturgia tem escapado da adrenalina das disputas esportivas. Só que, longe dos campos de futebol africanos, as novelas costumam apostar em esportes ousados e menos comuns para tornar as tramas mais sofisticadas. Atualmente, corridas de Stock Car, competições de ciclismo e práticas de paraquedismo, “rafting” e “wakeboard” batem ponto diariamente na teledramaturgia. “Os esportes radicais atraem o público jovem. E são ótimos para contrabalançar o clima de suspense da novela”, explica Marcílio Moraes, autor de “Ribeirão do tempo”, que conta com um Centro de Esportes Radicais na cidade fictícia que dá nome à trama.

Mas há outras vantagens em levar os esportes para a ficção. Além de render belas imagens e ritmo ágil, as sequências de ação podem trazer mais realismo aos folhetins. E essa foi uma das preocupações da equipe de “Passione”, que, para abordar as competições esportivas, gravou cenas durante a primeira etapa da temporada 2010 da Stock Car e durante um torneio de ciclismo de verdade promovido especialmente para a novela. “Creio que alcançamos um grau de veracidade diferente, misturando real e ficção. Nosso esforço foi construir uma narrativa mais envolvente das corridas que vemos em transmissões esportivas”, esclarece o diretor Luiz Henrique Rios. Para alcançar esse realismo, a equipe teve a ajuda do Jornalismo da Globo. “Contamos muito com o apoio deles. Fizemos uma co-produção para aprender a entrar nesse universo esportivo”, explica a diretora de núcleo de “Passione”, Denise Saraceni.

E o mergulho no mundo dos esportes não é um trabalho apenas dos autores e diretores. A tarefa costuma exigir uma dedicação ainda maior dos atores, que têm de suar a camisa para convencer na pele de atletas. É o caso de Ângelo Paes Leme, que passou meses fazendo aulas de “rafting”, “wakeboard” e paraquedismo para interpretar o aventureiro Tito em “Ribeirão do tempo”. “No início foi meio complicado porque não é fácil se jogar de um avião. Mas saltar de paraquedas é revigorante. Ficou no meu sangue”, derrete-se. Assim como ele, Marcello Antony também se empenhou na preparação do piloto Gerson, de “Passione”, mesmo não tendo a exigência de saber pilotar para interpretar o personagem. “Fiz questão de aprender. Tirei licença para a categoria Stock Car e já dei mais de 70 voltas em Interlagos”, conta.

Apesar de estar em alta nas novelas atuais, não é de hoje que o esporte rende o que falar nos folhetins. Tanto que, a cada temporada de “Malhação”, a novelinha aborda uma modalidade esportiva diferente, que já passou por judô, skate, “handball” e futebol, entre outros. Este ano, o tema escolhido foi a patinação artística, esporte com o qual a protagonista Cristiana Peres garante ter se acostumado rápido. “Já sabia andar de patins e faço balé desde criança. A postura da dança me ajudou a pegar o ritmo mais rápido”, justifica. Monique Alfradique teve a mesma sorte quando, em 2006, viveu a patinadora Priscila também em “Malhação”. Isso porque, durante o tempo em que foi paquita, ela fez aulas de patinação para se apresentar no “Programa da Xuxa”. “Aprendi umas manobras radicais na época. Depois tirei de letra em ‘Malhação”, lembra.

Os esportes considerados mais radicais, no entanto, não são os únicos que dão gás às novelas. O surfe e as lutas, por exemplo, costumam fazer sucesso há tempos. E serviram como um dos temas principais de tramas como “Da Cor do Pecado”, “Três irmãs” e “Caras & bocas”. A simplicidade dos cenários e a necessidade de menor investimento torna a abordagem desses esportes mais fácil. Mas nem por isso a preparação dos atores chega a ser tranquila. A atriz Rosi Campos, que vivia a lutadora Edilásia Sardinha, a Mamuska de “Da Cor do Pecado”, lembra que a rotina de trabalho era muito mais difícil do que o normal. “Gravávamos 25 cenas por dia e ainda tinha de fazer luta e coreografar. Foi um processo muito intenso”, recorda.

Leia Também