Sexta, 17 de Novembro de 2017

Dose dupla

23 JUL 2010Por 09h:00
Manoela Reis, TV Press

Tudo tem seu tempo. Gabriela Carneiro da Cunha, a dedicada Cris de “Passione”, tem 28 anos e aguardava sua estreia na tevê desde os 24. Mas a espera valeu a pena: a atriz não só foi aprovada na trama de Silvio de Abreu como também foi chamada para integrar o elenco de “Escrito nas estrelas”, folhetim da faixa das seis da Globo. “Foi uma maré ótima na minha vida. As peças para as quais fui convidada sendo aprovadas em editais e ainda passei para duas novelas. Tive de esperar a produção da Globo decidir para qual delas eu iria”, lembra Gabriela, que não teve nenhuma participação na escolha. “Até achei melhor não ter preferência, para não correr o risco de ficar frustrada”, explica. Porém, quando soube que seria o “ombro amigo” de Diana, personagem de Carolina Dieckmann, e que faria parte do núcleo de Fernanda Montenegro, Gabriela teve certeza de que queria estar na trama italiana. “Eu ficava saltitando sozinha em casa”, confessa.
Apesar de iniciante na tevê, Gabriela tem bons anos de experiência nos palcos. A atriz atua no teatro desde os 23 anos e já dividiu a cena com atores como Otávio Augusto na montagem da peça “Rock’n’Roll”, original de Tom Stoppard, dirigida por Felipe Vidal. “Criar bases sólidas no teatro antes da tevê apenas aconteceu. Não foi algo que planejei. Mas, sem dúvida, foi fundamental para me sentir segura como atriz”, explica Gabriela, que sofre com seu posicionamento em cena quando está gravando, já que não tem familiaridade com as câmaras. “Ainda é difícil para mim. A Carolina me ajuda muito e eu costumo assistir às cenas em que não participo, só para aprender”, garante a aplicada atriz.
Além disso, a demora para estrear na tevê é reflexo da decisão tardia de Gabriela pela carreira de atriz. Aos 16 anos, ela entrou na faculdade de Administração, mas ainda não sabia qual profissão queria seguir. Depois, acabou conseguindo um emprego na companhia mineradora Vale. Mesmo assim, se sentia deslocada na área. “Sempre soube que não era para mim, mas ainda não sabia o que queria. Preferi seguir para concluir uma faculdade do que ficar pulando de galho em galho”, justifica. A decisão de ingressar em um curso de teatro veio de maneira despretensiosa, para acompanhar um amigo que resolveu se matricular. “Lembro que na minha primeira cena de morte caí na gargalhada. Era a única da minha turma que não queria ser atriz”, conta. Mas, depois de ter sido elogiada por Daniel Herz, seu primeiro professor, chegou à conclusão que poderia seguir profissionalmente. “O teatro é um lugar sujo, mofado, sem glamour. Nós passamos o nosso figurino, o guardamos, varremos o palco. Me encantei por atuar, não por fama e exposição”, garante.
Com contrato por obra com a Globo, depois do folhetim, Gabriela pretende tocar seus projetos no teatro e no cinema. Mas com mais confiança depois da experiência no horário nobre da tevê aberta. “O público hoje conhece meu trabalho e pode se interessar por vê-lo fora da tevê”, torce. Em agosto, a atriz estreia uma temporada no Rio com a peça “Tentativas Contra a Vida Dela”, dirigida por Felipe Vidal. Ainda este ano, Gabriela estreia no cinema no longa “Amazônia Caruana”, de Tizuka Yamasaki, que também tem no elenco Letícia Sabatella e José Mayer. “Eu quero é trabalhar. Seja no cinema, no teatro ou na televisão”, avisa.

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