Quarta, 22 de Novembro de 2017

Domingo de Ramos

27 MAR 2010Por FREI VENILDO TREVIZAN04h:28
A tradição cristã traz presente a festa dos ramos todos os anos para lembrar e celebrar o grande acontecimento no qual Jesus entra triunfalmente na cidade de Jerusalém cercado pelo carinho e pelo reconhecimento do povo humilde e sofredor. Para manifestar esse carinho e esse reconhecimento o povo tinha o costume de estender mantos e ramos verdes pelo caminho que seria percorrido por seus heróis. Neste caso o herói seria o próprio Messias, o esperado do povo que andava cansado de ser explorado pelo poder romano. Via agora nesse Messias a esperança de um novo governo, de uma nova realidade que lhe concedesse a tão sonhada liberdade, principalmente a liberdade de cultuar o seu próprio Deus e suas tradições históricas e culturais. Enquanto o povo simples e humilde assim pensava e assim agia, no meio dele havia também o grupo dos donos do poder e da tradição farisaica e estava notando que Jesus não seria tão somente um restaurador, mas representava uma ameaça ao seu poder atual e, por isso, estava determinado a não deixa-lo sair de Jerusalém e estaria forjando um plano diabólico de matá-lo. E Jesus, conhecedor de sua malícia, assim mesmo decide entrar na cidade santa acolhido pelo povo a quem tanto ajudara e servira. Quanto aos fariseus que reclamavam da festa que o povo simples estava lhe oferecendo, alertou: “Eu digo a vocês: se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc.19,40). Ele estava sentindo que era a única hora e o único ambiente em que esse povo simples poderia manifestar livremente seus sentimentos, seus anseios e seus sonhos. Só agora estava conseguindo esse pequeno espaço. E não poderia ser proibido. Isto nos leva a pensar em nosso mundo atual. Ainda existem países em que a manifestação religiosa é limitada e até proibida. Povos que não podem ter sua religião, não podem celebrar suas tradições, sua cultura e sua fé. Comunidades inteiras tendo que se submeter a regimes anticristãos e tem que silenciar sua fé. Às vezes numa mesma família acontecem conflitos e divisões por causa do mesmo e único Deus revelado em Jesus Cristo. Esquecem que, além de serem membros da mesma família, formam um só e mesmo corpo em Jesus Cristo. Não se concebe que ainda ocorram divisões tão drásticas e conflitos tão irracionais. Jesus, o Servo sofredor, o Servo humilde e servidor, convida seus seguidores a percorrerem com ele o mesmo caminho da solidariedade e não das divisões; a assumirem a própria cruz e não sobrecarregar os mais fracos com novas e pesadas cruzes; a socorrerem os necessitados e não desprezá-los; e a celebrar com ele a alegria da ressurreição e não abandonar os que se encontram à porta do desespero. Então a vitória será de todos e não apenas de alguns. As divisões darão lugar à solidariedade. As inimizades se abrirão ao diálogo. Os conflitos se transformarão em abraços de paz. E as guerras se tornarão lugar de fraternas celebrações de perdão. E acontecerá a Páscoa como uma festa de todas as crenças e de todas as culturas.

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