Sábado, 18 de Novembro de 2017

Doença do refluxo

25 MAR 2010Por 23h:58
Ultimamente você tem declinado de convites para comer aquela feijoada; o churrasco do fim de semana ou o rodízio viraram verdadeiro martírio pelo que vem depois? Aquela queimação que sobe pela garganta logo após as refeições, mesmo com pratos mais leves, tem feito você pensar duas vezes antes de comer até mesmo algumas frutas? Ou, ainda, tem convivido com a sensação de que há uma bola na garganta e tem se incomodado muito com o mau hálito, que nem a escovação, fio dental e bochechos resolvem? Saiba que estes desconfortos podem estar relacionados à doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Simplificando o termo, o refluxo é um dos problemas mais frequentes dos distúrbios do aparelho digestivo. Afeta cerca de 20% da população brasileira em todas as idades, embora a incidência aumente após a quarta década de vida. A DRGE acontece porque o conteúdo do estômago/ duodeno retorna para o esôfago, causando os sintomas. Na transição do esôfago para o estômago existe um músculo (esfíncter) que controla a abertura do estômago. Quando este esfincter se encontra “defeituoso”, ocorre o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago. Causas A rigor, este ácido que serve para digerir os alimentos não deveria voltar. Mas, quando há perda de força nesta válvula que mantém o estômago fechado, ocorre o refluxo. O “afrouxamento” do músculo pode ocorrer por predisposição genética, obesidade, hábitos alimentares inadequados, como ingestão de grandes quantidades de alimentos, a ação de comer excessivamente e logo se deitar, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, cafeína e cigarro. A causa mais comum do refluxo é a hérnia de hiato, caracterizada pelo desl izamento do estômago em direção ao esôfago, sendo que esta alteração anatômica ocorre devido à diferença entre a alta pressão dentro do abdome em relação à baixa pressão dentro do tórax. A presença da hérnia de hiato confirma a fraqueza da musculatura do diafragma, que representa também um dos mecanismos antirefluxo. Sintomas Segundo o doutor Carlos Marcelo Dotti, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, regional MS, dentre os sintomas da doença, os mais comuns e frequentes são a azia (sensação de queimação) e a regurgitação. “Outros sintomas também podem estar presentes em menor quantidade: dor no peito – a pessoa pode achar que esta infartando –, mau hálito, sensação de “bola” ou pigarro na garganta, náuseas, rouquidão, tosse crônica e, algumas vezes, até asma”, enumera. Diagnóstico De acordo com o especialista, mestre em endoscopia, o diagnóstico da DRGE se faz pelas queixas do paciente e exames complementares que confirmam o quadro clínico na maioria dos casos. Caso isso não ocorra, há exames mais complexos como: pH metria, exame radiológico contrastado, cintilografia e pH-impedanciometria. De acordo com Carlos Dotti, o exame mais comum solicitado é a endoscopia digestiva alta que, realizada geralmente sob sedação, permite a avaliação do esôfago e do estômago. A endoscopia permite também a realização de biópsias quando necessário, para avaliação histológica. O achado frequente da endoscopia é a chamada esofagite, que pode apresentar graus variados, dependendo da intensidade e gravidade da DRGE. O Conselho Brasileiro de DRGE recomenda que todo paciente com suspeita da disfunção realize a endoscopia. Tratamento O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico. A maioria dos pacientes se beneficia do tratamento clínico, que associa medicação, dieta e medidas comportamentais. “Vale ressaltar, que o tratamento clínico não permite a cura, porém, o controle da doença com o fim dos sintomas”, ressalta o médico. Atualmente, o tratamento cirúrgico é realizado por via videolaparoscópica, ou seja, por meio da introdução de pinças no abdome do paciente, sem a necessidade de uma grande incisão (corte). Desta forma, os pacientes apresentam recuperação mais rápida e menos dolorosa, podendo retornar mais rapidamente às atividades habituais. Além disso, o benefício estético é indiscutível. Os pacientes recebem alta hospitalar em 24 horas. Caso o paciente apresente hérnia de hiato, a cirurgia também corrige o problema, com a sutura (pontos) na porção do músculo diafragma que ficou mais fraca. Além disso, é confeccionada uma válvula antirefluxo com o próprio estômago.

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