Segunda, 20 de Novembro de 2017

Do palco para o estúdio

19 MAR 2010Por 04h:12
O convite para interpretar a engraçada secretária Heloísa de “Tempos modernos” surgiu de forma inesperada para a jovem atriz Joana Lerner, de 25 anos. “Um amigo montou a peça ‘Quase para sempre’, de autoria do Bosco Brasil, e me chamou para ser uma das protagonistas. No meio da peça percebemos que o próprio Bosco estava na plateia”, justifica, achando graça da própria sorte. Bosco, que também é autor da novela das sete, gostou tanto da montagem do espetáculo que voltou três vezes para assistir. Alguns meses depois, ela foi convidada para seu primeiro papel na tevê. “Fiquei muito feliz, é um grande desafio, pois, apesar de ter participado de outras novelas, nessa eu posso mostrar mais meu trabalho”, afirma, referindose às participações que fez no elenco de apoio das novelas da Globo “Agora é que são elas”, em 2003, e “Senhora do destino”, em 2004. A atriz, que nos palcos sempre priorizou fazer papéis cômicos, afirma que tem o trabalho de Andréa Beltrão como inspiração “por considerá-la uma das atrizes que melhor faz comédia no País”. Essa referência a ajuda a compor Heloísa, secretária de Goretti, personagem de Regiane Alves na trama. “Tento interpretá-la com esse ar estabanado, bem cômico, atrapalhado”, define. Construir a personagem, aliás, nem foi uma atividade tão complicada para Joana. Isso porque a própria atriz assume que se identifica com a essência de Heloísa. E chega até a protagonizar cenas dignas da secretária. “Lembro de uma vez que estava na praia e fui derrubada por uma onda. Meu biquíni quase foi levado pelo mar! Além disso, perdi tudo que estava comigo na praia, como a tanga e bolsa”, revela, rindo bastante. Apesar de despontar na tevê agora, Joana começou sua carreira ainda adolescente, ao participar de peças amadoras para o curso de Teatro Tablado. Dos 12 aos 19 anos, fez sete espetáculos amadores com o grupo. Gostou tanto de atuar que resolveu ingressar na faculdade de Artes Cênicas. “Me formei pela Unirio em 2007, no curso com ênfase em Interpretação. Mas sempre que estou livre faço cursos de teatro com diferentes diretores”, garante. O último foi com o diretor Enrique Díaz, que usa técnicas de interpretação por meio da dança. Todo esse dinamismo é percebido não só na maneira de falar da atriz, mas também nos “hobbies” que tem. “Gosto de andar de bicicleta, correr na praia, jogar beach tennis e fazer pilates. Vou muito ao teatro e cinema. Além disso, tenho paixão por artesanato”, explica, mostrando o colar que fez com pedras e laços. Com esse pique todo, ainda encontra tempo para participar do grupo de teatro ‘Pequena orquestra’, que mescla dança, música e artes visuais nos palcos. “Fiz com o grupo minhas primeiras peças teatrais profissionais. Além de ‘Quase para sempre’ também encenamos ‘Madrigal em processo’, as duas em janeiro de 2009”, afirma, completando que foram oportunidades nas quais pôde mostrar várias técnicas de atuação. Agora, ela agiliza os preparativos para outra peça, desta vez com o marido, o também ator Bruno Gradim. “Estamos com um projeto de montar um texto inédito no Brasil, escrito pela autora israelense Edna Mayzya, chamada ‘Rebeldes’. É um clássico da dramaturgia judaica”, adianta.

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