Quarta, 22 de Novembro de 2017

Discoteca digital

25 JAN 2010Por 07h:28
Não se pode catalogar como uma guerra de gerações, porém, é fácil verificar as diferenças entre as gerações mais novas e mais antigas quando o assunto é ouvir suas canções prediletas. Enquanto a primeira deixou para trás hábitos como colecionar discos e CDs, a outra transita, até com certa desenvoltura, entre passado e presente, não abandonando antigas coleções e aderindo à facilidade das novidades tecnológicas. O advogado, professor universitário e músico Silvio Lobo, 61 anos, é um daqueles que n ão se desfazem da coleção de vinil e, ao mesmo tempo, se beneficiam com as oportunidades oferecidas pela internet. “Somente agora estou colocando em CD alguns dos vinis que tenho. Tive uma coleção bem maior de discos, somando mais de 400; hoje, devo ter cerca de 120. São discos de Roberto Carlos, Ângela Maria, Agnaldo Timóteo...”, conta um dos mais atuantes seresteiros da Capital. “Não sou avesso à tecnologia, até gosto da internet, por meio dela é possível encontrar músicas que, normalmente, são difíceis de achar. Recentemente, precisei de algumas músicas do cantor Carlos José e consegui na internet. Mesmo com essa facilidade desse novo meio, guardo e coleciono com carinho os antigos discos”. Eclético O músico e produtor Leo Copetti, 32 anos, diz que “joga para todos os lados” quando se refere à forma de apreciar música. Mantém acervo de CD – cerca de 400 – e vinil – cerca de 200. “Gosto de ter o CD original, sou um colecionador, aprecio o aspecto físico. Visito as lojas e compro com frequência. O mais recente que adquiri foi o CD do New Order, com os singles da banda”. Ainda cita álbuns de chorinho e outros ritmos brasileiros como parte da sua coleção. Ao mesmo tempo em que aprecia a maneira antiga de armazenar música, não descarta a internet como recurso para ampliar o conhecimento na área. “Tem muita coisa que não chega no Brasil e é somente por meio dos blogs que temos acesso, como os artistas independentes. Por causa disso tenho muitos exemplares em MP3”. Leo acha que se encontra entre duas gerações. “Gosto muito da forma antiga de colecionar música e estou atento às novidades que surgem. Ao OSCAR ROCHA Durante quase todo o século 20, o vinil foi soberano. O mais comum era o apreciador de música reunir acervo com vários exemplares de LPs e compactos. Mesmo com o surgimento das fitas cassete, os discos foram companheiros mais constantes dos apreciadores de diversos estilos. Até que, em meados da década de 1980, com a chegada do CD, a forma de se colecionar e armazenar música constatou nova alteração. Com a internet, a música ganhou canal de divulgação inimaginável. A situação, se por um lado democratizou o acesso à produção ampla, também estabeleceu perdas para a indústria fonográfica, que não conseguiu contabilizar dividendos imediatos com o novo cenário. Atualmente, o público se divide entre os adeptos das no- vas possibilidades e os velhos recursos. Abaixo alguns exemplos desse atual momento. contrário de mim, tem uma turma mais nova que não tem mais nenhuma relação com o passado. A forma de entrar em contato com a música é totalmente diferente. Não fazem questão de ter CD. A internet é a única forma que conhecem para apreciar música”, aponta. Praticidade O estudante Breno Ramos Alves da Silva, 18 anos, filiase ao perfil apontado por Leo Copetti. Apreciador de rock, MPB e internacional, não coleciona CDs. “Já cheguei a colecionar, mas hoje não gosto. O que aprecio busco na internet”. Também não procura discos completos dos seus ídolos, apenas as faixas que mais lhe chamam a atenção. Entre as músicas mais recentes que baixou está o sucesso “Meteoro”, de Luan Santana. “Os meus amigos não colecionam CD, tudo vem da internet”. A turma do músico e estudante de Direito Yuri Arraes de Sá, 18 anos, integrante da banda Livov, também aboliu a coleção de CDs, preferindo os meios oferecidos pela rede mundial de computadores para ouvir música. “Ouvimos no myspace, no youtube, no MP3. No meu caso, antigamente comprava CD, no caso somente original, hoje prefiro baixar. Fica mais fácil e atualizado”. Pelo fato de fazer parte de uma banda, diz que é necessário sempre conhecer coisas novas. “Mandamos link um para o outro com as coisas que aparecem, dessa forma todos ficam conhecendo e atualizados”. (OR)

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