Domingo, 19 de Novembro de 2017

Dinheiro barato não chega ao produtor

1 FEV 2010Por MAURÍCIO HUGO06h:48
Os pequenos produtores sul-mato-grossenses, que são mais de 20 mil no Estado – com raras exceções –, estão fechando os olhos para o crédito mais barato do que se tem notícia em se falando de financiamento agrícola. O dinheiro disponibilizado é farto, o pagamento pelo crédito é de até 10 anos, com até três anos de carência e juros de 2% (dois por cento) ao ano. Não é ao mês, não, é 2% ao ano. No ano passado, apenas 150 pequenos produtores procuraram esse dinheiro barato, salientando-se que são disponibilizados até R$ 100 mil para cada um que se habilitar a tomar esse crédito, que é concedido por meio do Programa Mais Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Na semana passada, o coordenador nacional do programa, Francisco Hercílio da Costa Matos, esteve em Campo Grande e reuniu-se com representantes do governo do Estado, movimentos sociais, Banco do Brasil e demais entidades ligadas ao setor agropecuário para apresentar informações sobre o programa e buscar soluções que aumentem, no ano de 2010 e 2011, a contratação de créditos no Estado. Explicou que o programa visa estimular a modernização produtiva das unidades familiares agrícolas de todo o País. Explicou que o Mais Alimentos é uma linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Além de veículos para o transporte de carga e a comercialização da produção, os agricultores familiares podem, por meio da linha de crédito, financiar tratores, máquinas, implementos agrícolas, projetos para construção de armazéns e silos, cerca elétrica para isolamento do rebanho, melhoramento genético, correção de solo, formação de pomares e melhoria da logística administrativa das propriedades rurais, como a informatização dos estoques, entre outras ações. De acordo com o diretor- executivo da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), José Alexandre Trannin, o Estado apresenta um número muito pequeno de contratações de crédito por meio do Mais Alimentos, se comparado a outros lugares. “Trata-se de um programa que oferece inúmeras vantagens ao agricultor familiar e por isso estamos lutando junto aos nossos parceiros para fazer com que ele funcione de maneira efetiva em Mato Grosso do Sul”, argumenta. Garantiu que o Governo do Estado, por meio da Agraer e com o apoio dos demais parceiros, especialmente o Banco do Brasil, vai trabalhar muito para fazer com que boa parte dos recursos disponíveis possam chegar aos pequenos produtores. “Vamos focar o trabalho nessa primeira fase em 3.000 pequenos produtores, com o objetivo de conseguir viabilizar 1.000 contratos de crédito. E desses 1.000, queremos que pelo menos 300 contratos sejam para a aquisição de tratores”, explicou Trannin. Explicou que existem alguns fatores que limitam também, uma vez que, para se habilitar ao crédito do Programa Mais Alimentos, os pequenos produtores precisam se adequar a alguns critérios. “Eles também têm que ter condições de dar algumas garantias ao banco responsável pelo financiamento”, explicou José Trannin. O trabalho de acompanhamento junto aos produtores que a Agraer vai realizar visa justamente superar as dificuldades encontradas na questão de crédito em Mato Grosso do Sul. Trannin lembrou também que a preferência desses recursos é para pequenos produtores comprovadamente eficientes na sua atividade. Não se destina a assentados, exceção feita a alguns produtores assentados que, além de oferecerem garantias ao financiamento, têm se mostrado eficientes na produção.

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