Domingo, 19 de Novembro de 2017

Dilma assumirá marca do pós-Lula na campanha

25 JAN 2010Por POR VERA ROSA, BRASÍLIA08h:22
O comando da campanha de Dilma Rousseff ao Palácio do Planalto aposta no discurso da ministra da Casa Civil no 4º Congresso Nacional do PT, em fevereiro, para jogar por terra a retórica do pós-Lula entoada pelo PSDB. “O pós-Lula é inseparável do governo Lula”, afirmou Dilma na reunião ministerial de quinta-feira (21), apontando a tecla em que baterá na corrida sucessória. “Esse legado é nosso”. Acusada de não ter jogo de cintura política, a ministra já começou a ensaiar a coreografia dos palanques. Um discurso forte de Dilma no megaencontro que oficializará sua candidatura, em Brasília, é considerado fundamental para sinalizar o tom da campanha petista e fazer uma inflexão na disputa. A uma plateia formada por ministros, governadores, dirigentes e parlamentares do PT e de partidos da base aliada, além de convidados internacionais, Dilma falará sobre as “obras” do governo comandado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o projeto nacional de desenvolvimento que norteará sua plataforma. A ideia é mostrar que a era Lula construiu os “alicerces” para um novo ciclo que, na receita petista, combinará ingredientes para a ampliação dos investimentos públicos e incentivo aos privados com programas sociais para a redução da pobreza. Embora o presidente queira comparar os seus dois mandatos com o mesmo período da gestão Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), o governador de São Paulo, José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto, já avisou que não morderá a isca. “Vou apontar as coisas para o futuro”, disse Serra à reportagem, na semana passada. O ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, integrante da coordenação da campanha de Dilma, avalia que o pós-Lula embalado pelo tucanato não se sustentará na temporada eleitoral. “É ilusão pensar que o pós-Lula significa passar a borracha no que foi feito por este governo”, comentou Pimentel, um dos postulantes do PT à sucessão do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). “O que vai estar na mesa não é a herança tucana, a discussão é no nosso terreno”. Tensão Na prática, toda a estratégia de Dilma é montada com base em pesquisas. São esses levantamentos que norteiam, por exemplo, o discurso da candidata e as roupas que ela deve usar em público. Dilma discutiu recentemente com o marqueteiro João Santana – não gostou de um texto preparado para ela e mandou-o refazer. Disse que não será uma candidata “moldada” pela propaganda, pois tem ideias próprias. Avisou, ainda, que não mudará seu estilo. Circularam em Brasília rumores sobre a troca de Santana pelo publicitário Duda Mendonça, responsável pelo programa de TV de Lula, em 2002, mas não houve substituições na equipe. Duda, de fato, conversou com Dilma em dezembro, deu opiniões sobre imagem da candidata e rumos da campanha, mas tem visões totalmente opostas às de Santana. Para o antigo marqueteiro do PT, a ministra não deve se expor tanto e precisa tomar cuidado para que sua rejeição não ultrapasse o índice de conhecimento. A chefe da Casa Civil não esconde de ninguém que acha Duda “um gênio” do marketing político. A direção do PT, no entanto, não parece perdoálo. Motivo: no auge da crise do mensalão, em 2005, ele confirmou à CPI dos Correios ter sido pago pelo partido com dinheiro de caixa 2 em paraíso fiscal. No Planalto, auxiliares do presidente tentam minimizar a tensão de Dilma com Santana, sob o argumento de que atritos desse tipo são normais. O governo está convencido de que não pode dar margem para a oposição enxergar nem mesmo um fiapo de crise na campanha. Petistas avaliam que o PSDB tentará colar na administração Lula o carimbo da “gastança” e, em Dilma, a pecha de “mentirosa”. É com esse cenário que a cúpula do PT trabalha e prepara a contraofensiva. Inundações em São Paulo e despesas do governo Serra são temas examinados com lupa pelos dilmistas. Detalhe: o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe da plataforma de Dilma, prevê recursos para combate das enchentes.

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