Domingo, 19 de Novembro de 2017

Diagnóstico teleguiado

10 MAR 2010Por 02h:07
Bem ao estilo do filme “Viagem insólita”, a cápsula viaja pelo corpo, por um período de oito horas – tempo médio da digestão – dentro do dispositivo há um chip que registra duas fotos por segundo, o que gerará um “filme”, com cerca de 50 mil imagens, a ser analisado pelo médico. Descartável, o dispositivo é eliminado pelo organismo ao final do percurso junto com as fezes. De acordo com o cirurgião- geral e endoscopista Thiago Alonso Domingos, que fez treinamento com o aparelho durante a especialização no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), a cápsula endoscópica faz imagens dos seguintes órgãos: faringe, esôfago, estômago, intestinos delgado e grosso. “A grande vantagem está na possibilidade de termos um diagnóstico preciso do intestino delgado”, explica o especialista. Exames tradicionais não conseguem chegar ao órgão, em razão de sua localização e anatomia. A endoscopia diagnostica apenas a parte superior do aparelho digestivo e a colonoscopia se foca no intestino grosso. “O problema é que parte dos sangramentos intestinais ocorre por causa de lesões no delgado”, aponta o médico. Segundo Thiago, as formas de diagnosticar problemas no intestino delgado até o surgimento da cápsula eram pouco eficazes. “Faziase radiografias, utilizando um l íquido contrastante, mas não conseguíamos uma imagem muito definida. Com a cápsula, temos imagens que nos revelam todos os tipos de lesões”, esclarece. Sem anestesia Em casos mais graves, como hemorragias muito fortes ou dores abdominais intensas, o diagnóstico do intestino delgado era feito por meio de cirurgia, procedimento que trazia consigo todos os riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico. Com THIAGO ANDRADE Uma das grandes revoluções tecnológicas dos últimos anos na gastroenterologia, é a chamada cápsula endoscópica, que deve chegar a Campo Grande até o final deste mês. Digna de um filme de ficção científica, ela é um pequeno dispositivo – 2,6 centímetros de comprimento por 1 de diâmetro – que deve ser ingerido pelo paciente para fazer imagens do aparelho digestivo, chegando ao intestino delgado, local de acesso impossível a todos os outros métodos endoscópicos. o advento da cápsula endoscópica, não existe mais a necessidade de intervenção invasiva para o diagnóstico. Com ela, também é eliminada a anestesia, empregada igualmente na endoscopia e na colonoscopia. “A cápsula é um método não-invasivo, que pode ser utilizado por quase todos os pacientes, sem uso de qualquer sedativo. Ele é contraindicado apenas em casos de fístula e estreitamento do intestino”, detalha Thiago. Não há necessidade de se tomar remédios laxativos, como acontece na colonoscopia. No dia anterior ao procedimento, o paciente deve fazer uma dieta moderada, indicada pelo médico. Após ingerir a cápsula, ele deve ficar duas horas sem ingestão de líquidos e, quatro horas depois, já pode fazer refeições leves

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