Sexta, 24 de Novembro de 2017

Despreparo e covardia

29 ABR 2010Por 06h:12
A agressão ao comerciante Walter Mendes Rodrigues, 24 anos, perpetrada por policiais militares merece, sem dúvida, punição rigorosa, sob pena de desmoralização da PM. É absurdo que policiais (cujo dever é garantir segurança à população) cometam tamanho ato de covardia. A situação deixa evidente o despreparo de alguns profissionais e até mesmo a falta de compromisso com a atividade. Essa fragilidade no desempenho das funções ficou ainda mais evidenciada na declaração do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Carlos Alberto David dos Santos, de que os policiais “envolveram-se emocionalmente com o fato e não agiram com a imparcialidade esperada”.

Qualquer cidadão pode deduzir que o comerciante não iria marcar o encontro para devolver o celular em frente a posto policial se tivesse o aparelho sido furtado por ele ou por sua mulher. E por mais que houvesse culpa de alguém nesta história, em hipótese alguma os policiais poderiam ter agido desta maneira. A alegação (claramente falsa) para tentar justificar o injustificável, foi a de que o comerciante teria reagido, negando-se a prestar depoimento. Teria sido, por isso, imobilizado pelo policial e o relógio do PM teria causado a lesão no pescoço. Mas, pela fotografia divulgada do jovem ontem no Correio do Estado, fica evidente que essa não foi a única agressão sofrida.

Diante da injustiça cometida e certo de que não poderia contar com apoio da polícia, Walter recorreu à imprensa e teve a coragem de denunciar os policiais que praticaram a agressão. Ele teve de se expor para, ao menos, tentar garantir que os culpados recebam as devidas punições. E agora isso deve ser feito de forma rigorosa e, se necessário, até mesmo com expulsão dos policiais envolvidos.  Punição, que não poderá ter sentido de corporativismo, será vista como exemplo para a categoria, pois, ao menos, espera-se que, desta maneira, outros policiais não sejam contaminados com os mesmos sinais de imbecilidade crônica. Ainda mais, servirá como  demonstração de respeito aos muitos policiais que desempenham corretamente suas funções, agindo de acordo com a lei e trabalhando para garantir segurança a todos os moradores. Não se pode deixar que a população fique com dúvidas se deverá ter mais medo de bandidos do que de policiais.

    O episódio envolvendo Walter deixou, certamente, para muitas pessoas, sentimento extremamente negativo do trabalho da polícia e, ainda mais, do desrespeito e  da falta de civilidade com alguém que, tudo indica, teve atitude honesta. O desastre será ainda maior se este sentimento for estendido ao de impunidade. Por isso, o Comando Geral da Polícia Militar deve agir com rigor com todos os policiais que estiveram envolvidos no espancamento. Além do cabo Ivanil Jonas Alves, conforme citado pela vítima, outros cinco teriam participado. As medidas precisam ser urgentes. Episódios como esse — em que, infelizmente, alguns policiais sentem-se  no direito de torturar e agredir  —  não podem voltar a se repetir. O caso de Walter não é o único, mas não pode ser tratado como apenas mais um.  

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