Domingo, 19 de Novembro de 2017

Deslizamento piora catástrofe no Rio

9 ABR 2010Por 21h:19

RIO

 

O Corpo de Bombeiros confirmou ontem que 179 pessoas morreram vítimas das chuvas no Rio de Janeiro. Até o início da noite, a situação mais grave era no morro do Bumba, no Cubango, em Niterói, na Região Metropolitana no Rio, onde 14 corpos de vítimas de um deslizamento na noite de quarta-feira foram encontrados. Niterói, que está em situação de emergência, já registrava, antes desse episódio, 79 mortes em decorrência das chuvas.

Equipes de resgate e prefeitura estimam que cerca de 200 pessoas moravam no local, onde existiam ao menos 50 casas, e podem estar soterradas. A informação é do coronel Pedro Machado, subsecretário de Defesa Civil, que não diz não haver mais expectativa de encontrar pessoas com vida.

Cerca de 300 homens, entre integrantes da Força Nacional de Segurança (FNS), policiais civis, bombeiros e policiais militares, trabalhavam nas operações de resgate no local.

"Pela nossa experiência é uma morte instantânea. Desceu uma grande quantidade de terra, pedra e lixo", disse Machado, que também é comandante do Corpo de Bombeiros. "É muito difícil encontrar alguém vivo. É diferente do Haiti, onde prédios desabaram e as pessoas ficaram presas em bolsões de ar. Aqui foi uma grande quantidade de terra. Quando cai, toma todo o ambiente."

Segundo a Defesa Civil do Estado, o número de desabrigados em municípios das regiões metropolitana do Rio, Baixada Fluminense, Baixada Litorânea e Serrana mais atingidos pelas chuvas dos últimos dias é de 3.262, enquanto que o total de desalojados já soma 11.439 pessoas.

Segundo o secretário de saúde de Niterói, Sérgio Côrtes, não há previsão para o término de trabalhos na região. "A estimativa anterior era de 15 dias, mas a quantidade de escombros está dificultando as buscas. A extensão fica ainda pior porque há 25 anos funcionava um aterro sanitário no local, o que deixa o solo ainda mais instável", afirmou. "Estamos vivendo um grande problema ambiental. O resgate não pode ser um trabalho manual, por causa do risco de doenças." Ainda de acordo com Côrtes, técnicos da Geo-Rio foram disponibilizados pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, para atuar no local.

"Essa é uma área de alta suscetibilidade. Isso aqui é um lixão que se encharca muito mais rapidamente em comparação com outros morros. O solo vai ficando ensopado e ocorre a formação de gás metano. Com tudo isso, o ângulo estável fica muito menor. A prefeitura deveria ter um cadastro desta área, que é de altíssimo risco", afirmou Adalberto da Silva, professor de geologia do Instituto de Geociências da UFF (Universidade Federal Fluminense), referindo-se ao local, cujas casas foram construídas sobre um antigo lixão.

 

Meio ambiente

A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, esteve no local e reconheceu que a área era instável, por conta do lixão, no topo do morro. Ela informou que serão feitas obras de contenção e drenagem no local, que será interditado totalmente para novas habitações.

"As casas que estão próximas já foram interditadas e não serão mais habitáveis. Ainda existe risco, pois há barrancos enormes que estão totalmente abertos. A área é de risco e nunca poderia ter sido habitada", afirmou Marilene.

O temporal que provocou a tragédia no Estado do Rio teve início no final da tarde de segunda-feira e levou o caos à capital e à região metropolitana, que praticamente pararam na terça-feira. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), somente na terça-feira choveu mais do que o esperado para todo o mês de abril na região.

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