Domingo, 19 de Novembro de 2017

Desafio da oposição é impedir que CPI acabe em “pizza”

14 ABR 2010Por 23h:40
Fábio Dorta, Dourados

O maior desafio dos vereadores que fazem oposição ao prefeito Ari Artuzi (PDT) é evitar que acabe em pizza a CPI da Saúde, criada para investigar indícios de irregularidades no setor, nas gestões do atual prefeito e de seu antecessor Laerte Tetila (PT). Denúncias de fraude na área de saúde, no ano passado, levaram à cadeia 42 pessoas durante a Operação Owari, da Polícia Federal. Entre elas, Humberto Teixeira Júnior, um dos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito.

A CPI da Saúde da Câmara Municipal de Dourados foi instalada oficialmente na sessão ordinária realizada na noite de segunda-feira. A primeira reunião dos vereadores que integram a comissão e a assessoria jurídica do Legislativo municipal deverá acontecer ainda esta semana.

A criação da CPI da Saúde foi solicitada pelo vereador Dirceu Longhi (PT), que irá presidi-la. Além de Longhi e Teixeira, ainda integra a CPI o vereador Marcelo Barros (DEM). O democrata, que faz oposição ao prefeito na Câmara, disse que vai lutar para ser indicado à relatoria. “Não podemos jamais permitir que a CPI termine em pizza. Temos de ir fundo nas investigações”, afirmou Barros.

“Se existem denúncias, o poder Legislativo tem a obrigação de apurar”, declarou Longhi. “Ninguém pode ser condenado por antecipação, mas se as investigações confirmarem as irregularidades, a CPI vai pedir ao plenário a aplicação das punições cabíveis e, se for o caso, encaminhar à Justiça”.
Tropa de choque

A “tropa de choque” do prefeito Ari Artuzi está agindo nos bastidores na tentativa de enfraquecer a CPI. A primeira providência foi acabar com o Bloco de Atuação Suprapartidária, criado pelos vereadores Zezinho da Farmácia (PSDB), Délia Razuk (PMDB) e Júlio Artuzi (PRB) com o objetivo de indicar um dos integrantes da comissão.

Eles só poderiam fazer a indicação se formassem o bloco, porque são os únicos vereadores de seus partidos com assento na Câmara. Depois que o bloco foi criado e o nome de Délia Razuk foi indicado, o vereador Júlio Artuzi, que é tio do prefeito, retirou sua assinatura. Com isso, o bloco foi desfeito.
Mas Délia Razuk – que também faz oposição ao prefeito – não desistiu de participar da CPI. Ela apresentou um recurso administrativo à mesa diretora da Câmara, alegando que sua indicação foi feita antes de Júlio Artuzi sair do bloco.
Saúde em crise

O setor de saúde em Dourados é alvo de investigações, também, da Polícia Federal, do Ministério Público e do Departamento Nacional do Sistema Único de Saúde (Denasus). O Ministério da Saúde, por meio do Denasus, instaurou auditoria para investigar denúncia do Conselho Municipal de Saúde, de que centenas de mortes ocorreram nos últimos dois anos de mandato de Tetila por falhas no atendimento no Hospital da Vida, que na época se chamava Hospital de Urgência e Trauma.

O prefeito Ari Artuzi, por sua vez, responde a processo no Tribunal de Justiça por suposto envolvimento nas fraudes apuradas na Operação Owari. Segundo a polícia, mais de R$ 20 milhões foram desviados dos cofres públicos por meio da Secretaria Municipal de Saúde nos mandatos de Tetila e Artuzi. O Ministério Público pediu a prisão e a cassação do mandato do atual prefeito.

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