Terça, 21 de Novembro de 2017

Deputados reconhecem divergências entre petistas

30 JUL 2010Por 08h:09
adilson trindade e lidiane kober

A aproximação de setores do PT à candidatura do governador André Puccinelli (PMDB) e a falta de autonomia para agir como magistrado sem ferir interesses de grupos são os motivos apontados por parlamentares do partido para explicar a dificuldade do presidente regional da sigla, Marcus Garcia, de apaziguar os conflitos internos. O deputado federal Vander Loubet (PT) e o deputado estadual Paulo Duarte (PT) confirmaram ontem as divergências que dividem o partido. Só que o dirigente afastou de maneira incisiva a intenção de abandonar a presidência da legenda.
Um dos motivos da crise destacado por Vander é a pressão para aproximar parte do PT a Puccinelli, rival de José Orcírio dos Santos (PT) na sucessão estadual. “A maioria que dá sustentação a Marquinhos não advoga a política de aproximação do André na campanha”, comentou. “Portanto, a saia-justa de Marquinhos é transparente dentro do PT, porque a pressão é muito grande e está sendo rechaçada pela base do partido”, acrescentou.
Esta dificuldade do dirigente petista de conciliar os conflitos do grupo do senador Delcídio do Amaral e de José Orcírio vem debilitando o partido na campanha eleitoral. “É o que nós estamos sentindo”, observou Vander. “É bom deixar claro também que esta é uma campanha que ninguém vai se salvar sozinho. A pesquisa publicada pelo Correio do Estado acendeu o sinal amarelo para o Delcídio”, avaliou. O levantamento mostra que o senador  caiu 12 pontos em relação à pesquisa de abril, mas ainda lidera com 49% das intenções de votos.
Para Vander, na posição de presidente, “Marquinhos está se sentindo constrangido do movimento do Delcídio de aproximação com André e também da defesa de fazer campanha casada com o deputado Waldemir Moka — candidato do PMDB a senador”. O parlamentar admitiu ainda ser grande a pressão sobre Garcia para atender os interesses do grupo do senador, do qual faz parte. “Mas ele não conta com apoio da maioria”, afirmou. Marcus Garcia rebateu Vander dizendo que não se sente constrangido e muito menos pressionado.
Para minimizar o impacto da crise na campanha, Vander defende a imediata recomposição das correntes do PT para tentar ganhar as eleições. “As pesquisas mostram que ainda temos chances de virar o jogo. Então, a unificação vai dar mais musculatura para o Zeca (Orcírio), para a Dilma Rousseff — candidata do PT à Presidência da República — e para o próprio senador Delcídio”, analisou.
Ele considera inconveniente a mudança de comando do PT. “Acho que o Marquinhos precisa se manter na presidência do PT”, defendeu Vander. Para isso, é necessário reunir, na sua avaliação, José Orcírio, Delcídio e Dagoberto Nogueira (PDT) para aparar de uma vez por toda as arestas da coligação. “Unidos, vamos ganhar as eleições”, declarou.
Paulo Duarte é outro que defende a permanência de Garcia no comando do partido. Ele não vê outro nome para ocupar o cargo e observa que as divergências do PT só vêm à tona porque o partido é verdadeiramente democrático. “No PMDB não tem discussão porque só um manda”, declarou. “A diferença é que lá as divergências não são expostas”, completou.
Já Marcus Garcia assegurou que não pensa em deixar o comando da sigla. “Quando assumi o cargo, sabia que não é fácil administrar um partido do tamanho do PT e, como não sou uma pessoa fraca, nunca cogitei desistir”, ressaltou.
O dirigente frisou ainda, em entrevista, que está andando o Estado todo e pedindo votos em favor dos candidatos da coligação, porém, em nota à imprensa, só solicitou apoio aos petistas, excluindo Dagoberto da lista. “Quem enxergar irregularidade na campanha, apresente representação. Tudo será apurado e julgado em conformidade com o estatuto do partido”, finalizou.

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