Domingo, 19 de Novembro de 2017

Depois de mortes, alerta é para bois doentes

21 JUL 2010Por 20h:58
MICHELLE ROSSI

Depois do alto registro da morte de aproximadamente três mil cabeças de gado por hipotermia em decorrência da mudança brusca de temperatura no Estado, a preocupação agora é recuperar os bovinos que ficaram debilitados com a situação. Técnicos da Agência Estadual de Defesa Animal e Vegetal (Iagro) que percorrem as propriedades rurais também estão constatando animais doentes, que sofrem com as baixas temperaturas. “O risco é dos animais que não morreram, mas foram de alguma forma afetados pela onda de frio, desenvolvam doenças causadas por bactérias, como a pneumonia”, disse a diretora presidente da Iagro, Maria Cristina Carrijo.
Em Caarapó, no sul do Estado, cidade que mais contabilizou registro de mortes até o momento – são 800 cabeças, segundo o sindicato rural do município —, os proprietários das fazendas estão agora empenhados em recuperar os doentes. “Existe o temor de que mais animais morram nos próximos dias por conta ainda do frio que atingiu a região, mas que hoje (ontem) já deu uma amenizada”, descreveu o presidente do sindicato, Jesus Camasho, que ainda descreve a situação na cidade como crítica.
“Estamos enterrando os animais mortos e vendo muitos animais deitados nos campos, debilitados. Fazemos de tudo para recuperá-los, levando-os para os galpões fechados, damos soro, mas alguns não resistem”, apontou o presidente do sindicato, que também perdeu gado com a recente onda de frio.

Exames
Laudos de necropsia das carcaças de animais devem ser divulgados em uma semana e vão apontar se há alguma bactéria oportunista comum associada à morte dos animais, mas a diretora da Iagro já adianta que a hipotermia foi a principal causa das mortes. “Os laudos são feitos, como já é rotina, mas não há dúvidas de que a mudança brusca de temperatura causou as mortes”, relatou.
Poucas áreas de mata preservada, o que barraria os ventos nos campos abertos, garantindo uma sensação térmica mais confortável aos bovinos, teria sido o fator que mais contribuiu para as mortes, segundo relatos de especialistas, autoridades e pecuaristas. A onda de frio atingiu o Estado de quarta-feira (dia 14) até esta segunda-feira (dia 19).    

Prejuízos
Propriedades rurais de muitos municípios estão contando animais mortos, mas em Caarapó, a estimativa é de que o prejuízo chegue nas casa dos R$ 700 mil, considerando os 800 mortos. “Mas esse número vai aumentar porque ainda não fechamos o balanço na cidade. Em Caarapó, seguramente já passou de mil bovinos”, disse o presidente do sindicato rural na cidade, que ainda não viu alternativas para reverter os prejuízos.

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