Segunda, 20 de Novembro de 2017

DEM não aceita sacrifício de Murilo para "tapar buraco"

15 MAR 2010Por 04h:12
O que vai pesar nas negociações do DEM com o PMDB, no decorrer da semana, é a composição da chapa majoritária. Os democratas perderam o entusiasmo pela vaga de senador e não aceitam sacrificar o vice-governador Murilo Zauith apenas para “tapar buraco” na chapa. O receio deles é com a prioridade do governador André Puccinelli (PMDB) de eleger o deputado federal Waldemir Moka (PMDB) para senador. Murilo entraria na disputa pelo Senado como adversário de Moka, não como aliado. O confronto com o PMDB e até com o governador não interessa aos democratas. Eles têm a consciência da grande dificuldade de bater nas urnas o senador Delcídio do Amaral (PT) e Moka, não por causa do seu potencial eleitoral, mas pelas bênçãos eleitorais do governador. Por esta razão, ninguém, no DEM, acredita na neutralidade de Puccinelli na campanha eleitoral para senador. Os democratas ficaram assustados com o empenho do governador para ajudar o deputado federal Waldemir Moka a vencer as prévias do partido. A eleição interna escolheu Moka para concorrer ao Senado pelo PMDB. Para chegar a esta conclusão, os democratas passaram o fim de semana conversando muito. Pela avaliação deles, o peso do apoio declarado do PSDB não soma em nada para fortalecer a candidatura de Murilo ao Senado por falta de sintonia do partido com as bases. O principal prefeito tucano, Flávio Kayatt, de Ponta Porã, é um exemplo citado pelos democratas. Ele anunciou, recentemente, numa solenidade, o primeiro voto ao senador Delcídio do Amaral (PT) e nem lembrou de citar Murilo, que estava presente no evento. Se nem o prefeito tucano declara apoio a Murilo, os democratas não acreditam no envolvimento da base política do PSDB na campanha do atual vice-governador para senador. Eles desconfiam até de Murilo estar sendo usado pelos tucanos para dar peso nas negociações políticas com o PMDB. O maior interesse dos tucanos, neste momento, é assegurar espaço aos seus candidatos e fazer o jogo do governador André Puccinelli. Mas reagem com ameaças de atrapalhar a reeleição de Puccinelli se as suas reivindicações não forem atendidas. Só que o governador não leva mais a sério a reação dos líderes do PSDB. Outro dado apontado pelos democratas é a tendência dos 27 prefeitos do PMDB na disputa pelo Senado. Todos preferem a reeleição de Delcídio. O curioso, segundo eles, é o petista ser o primeiro voto da maioria dos peemedebistas. O segundo voto ficaria para Moka. Com este quadro, não sobraria espaço para Murilo explorar a sua candidatura. A cúpula do DEM vai tentar mudar o rumo das negociações com o PMDB, defendendo a permanência de Murilo na vice de André Puccinelli. O problema está no convite feito à prefeita de Três Lagoas, Simone Tebet (PMDB), para ocupar a vaga.

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