Quinta, 23 de Novembro de 2017

Delator revela detalhes de falcatruas em livro

11 SET 2010Por 09h:11
Da Redação

Além de citar nomes dos políticos, empresários e servidores públicos presos e indiciados na Operação Uragano da Polícia Federal, o jornalista Eleandro Passaia, autor das denúncias, revela no livro “A Máfia de Paletó” detalhes das falcatruas dos envolvidos no desvio de recursos públicos em Dourados.
Passaia disse que por pressão de políticos a gráfica responsável pela impressão, a Marindress, suprimiu um dos capítulos que envolvem outros políticos. Por causa disso, Passaia afirmou que vai distribuir o capítulo integralmente, pela internet, para quem se interessar. “Os responsáveis pela gráfica me informaram estar sendo pressionados por políticos que também são clientes deles e eu concordei que o capítulo fosse retirado para que o livro pudesse ser lançado hoje (ontem), conforme o programado. Mas vou colocar o conteúdo que falta na internet para quem solicitar”, afirmou.
No livro, Passaia conta que, quando assumiu o comando da Secretaria Municipal de Governo o prefeito Ari Artuzi (PDT) — que está preso desde o último dia 1º de setembro — descobriu o esquema de corrupção, que envolve além dele e do vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), secretários municipais, servidores públicos, vereadores e empresários.
Ele cita, por exemplo, que Artuzi mandou retornar ao presidente da Câmara Municipal Sidlei Alves (DEM) — outro que permanece preso — R$ 900 mil dos R$ 3 milhões que a Câmara Municipal devolveu aos cofres do município no final do ano passado. O dinheiro para Sidlei foi desviado da Secretaria Municipal de Obras e Planejamento.
A obra, também, revela a maioria dos esquemas para que 10% do dinheiro destinados a obras e serviços fossem parar tanto no bolso de Artuzi, como dos vereadores envolvidos na trama e de secretários municipais. Os desvios aconteciam em praticamente todos os setores da administração, como obras, saúde, serviços urbanos, educação e até transporte público.
O livro foi lançado ontem à noite. Antes, porém, o advogado Carlos Alberto de Jesus Marques, que representa o prefeito afastado Ari Artuzi, tentou barrar na Justiça a publicação.
“Eu fiz um pedido em nome dele (Artuzi) porque o caso está sob sigilo”, explicou Marques. O desembargador Manoel Mendes Carli considerou, no entanto, o pedido improcedente e manteve o direito ao jornalista de publicar “os bastidores” da operação.
Marques afirmou que a questão não era impedir a divulgação das informações que constam no livro, “pois são todas inventadas”, mas garantir tratamento igualitário aos advogados e a imprensa, já que o caso está sob segredo. “Só o advogado não pode ter acesso, o restante, todo mundo pode”, reclamou. (colaborou Fernanda Brigatti)

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