Cidades

DEFENSOR ALERTA

Deixar de transferir terreno pode gerar dor de cabeça

Deixar de transferir terreno pode gerar dor de cabeça

Evelyn Souza

28/02/2011 - 09h30
Continue lendo...

Comprar um terreno e não fazer a transferência pode resultar em uma tremenda dor de cabeça. Os problemas causados pela falta dessa providência podem ir desde um processo de inventário, nos casos em que o antigo dono falece e deixa os bens aos filhos, até os casos onde a casa pode ser levada a leilão por conta de dívidas do antigo proprietário. Quem dá as orientações é o defensor público da área cível, Fábio Rombi.

De acordo com ele, o comprador deve se atentar a três coisas antes de fazer o negócio. A primeira é procurar saber se realmente quem está vendendo o terreno é o proprietário. “As vezes a pessoa pode cair em um golpe e descobrir que quem vendeu o terreno não era o responsável por ele”, alerta o defensor.

Para certificar quem é o verdadeiro dono, o interessado na compra deve comparecer a um dos três cartórios da Circunscrição de Registro de Imóveis existentes na Capital. Nestes locais é possível ter acesso ao histórico do terreno que mostra quem é o proprietário mais recente do local.

O segundo passo de acordo com o defensor é fazer a escritura pública de compra e venda, onde estará registrada a data da compra e o nome do vendedor e comprador. O terceiro e último passo é a averbação (registro da compra) que deve ser feita no cartório de imóveis responsável pela área em que se localiza o terreno.

Problemas

Existem casos em que a pessoa compra um terreno e anos depois aparece o verdadeiro proprietário. Nesses casos, o dono pode entrar com uma ação de Reintegração de Posse e provar que o terreno é de sua propriedade. “Nesses casos o verdadeiro dono é quem fica com o terreno e quem sofreu o golpe sai no prejuízo e ainda fica sem casa”, alerta o defensor.

De acordo com Fábio Rombi outro problema muito comum é comprar o terreno e não fazer a transferência por motivos financeiros. “O indivíduo realiza a compra e faz um acordo para transferir o imóvel posteriormente”. De acordo com o defensor se caso o proprietário venha a falecer, o terreno pode acabar entrando em um processo de inventário, o que pode dificultar a transferência.

O defensor alerta para que os compradores coloquem no papel todos os gastos com a compra. “Não basta apenas ter o dinheiro para comprar, é preciso ter condições de realizar a transferência”. De acordo com o defensor, os gastos com a documentação da casa chegam em torno de 5% do valor total do imóvel.

Outro problema que o comprador pode enfrentar é se deparar com um oficial de justiça batendo em sua porta e descobrir que o terreno pode ser levado a leilão, devido a dívidas realizadas pelo antigo proprietário. “Nesses casos, o credor entra na justiça para cobrar a dívida, que se não for paga lhe possibilita requerer a penhora de bens em nome do devedor”. Nestas situações, o terreno é levado a leilão para que o valor seja usado para quitar a dívida.

Nestes casos, o comprador terá de entrar na justiça com uma ação de Embargos de Terceiro para provar que ele é o verdadeiro dono. “Se comprovado, o juiz cancela a penhora, caso contrário, corre-se o risco de perder o terreno”.

Outro problema que pode ser enfrentado é se caso a pessoa que comprou o terreno não consiga manter contado com o atual proprietário ou se esse se recuse realizar a transferência. Caso isso aconteça é necessário entrar na justiça com uma ação de Obrigação de Fazer. “Nessa ação o dono será citado por edital e diante das provas do comprador o juiz irá expedir um documento suprindo a vontade dele e determinando a transferência”, explica Fábio.

Mas os problemas não param por aí quando o assunto é transferência de imóveis. Se a compra foi apenas verbal e o antigo dono não for encontrado no momento em que o comprador deseja regularizar os documentos, o comprador deverá entrar com uma ação de Usucapião. “Nesses casos a pessoa deve provar que reside no local a pelo menos dez anos”, explica.

Para entrar com a ação de Usucapião é necessário cumprir algumas exigências estipuladas pela lei. Se o terreno for menor de 250 m² o comprador precisa esperar cinco anos para entrar com esse tipo de ação. Se o terreno for maior, é necessário esperar o tempo de dez anos. “Caso o comprador não more no terreno, o tempo estipulado passa para 15 anos”, explica.

A ação de Usucapião é um processo burocrático onde o juiz se interessa em saber quanto tempo a pessoa está na posse do terreno, o que pode ser comprovado com documentos e testemunhas. O segundo passo avaliado é saber se alguém se apresentou como sendo o proprietário do terreno nesse período de compra. Por exemplo, se alguém entrou na justiça requerendo a posse do imóvel. Se depois das provas apresentadas o juiz entender que os requisitos foram cumpridos, ele determina a averbação do terreno para o autor do processo.

Caso as provas não sejam suficientes, o comprador deverá esperar mais dez anos para entrar como uma nova ação de Usucapião.

É um processo complicado. Por isso o defensor alerta. “Providencie os documentos de compra e transferência o mais rápido possível, só assim o cidadão pode dormir tranquilo e ter certeza de que nenhum imprevisto poderá acontecer”, termina.

Endereço dos Cartórios

Cartório Salazar Serra da Cruz
Rua Barão do Rio Branco, 1079
Centro - Campo Grande – MS
Telefone: +55 (67) 3321-1828

5º Tabelionato
Dom Aquino, nº 1.293
(067) 3383-1998

Cartório do 7º Ofício
Rua 15 de Novembro, 940 - Centro - Campo Grande – MS
Telefone: +55 (67) 3384-1404
 

Confira orientações sobre os procedimentos de transferência de imóveis:

CIDADE EMPREENDEDORA

Programa de Costa Rica que fortalece empresas locais conquista prêmio estadual

A premiação foi nesta terça-feira (5), em Campo Grande (MS), durante cerimônia que reuniu gestores municipais de todo o Estado

05/05/2026 17h24

O prefeito de Costa Rica, Delegado Cleverson (PP), durante a entrega do prêmio nesta terça-feira em Campo Grande (MS)

O prefeito de Costa Rica, Delegado Cleverson (PP), durante a entrega do prêmio nesta terça-feira em Campo Grande (MS) Divulgação

Continue Lendo...

A Prefeitura de Costa Rica foi consagrada vencedora do Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora – Edição 2026, na categoria Compras Governamentais, com o programa “Empresa Parceira”. A premiação ocorreu nesta terça-feira (5), em Campo Grande, durante cerimônia que reuniu gestores municipais de todo o Estado.

Criado para reverter um cenário de baixa adesão de micro e pequenas empresas (MPEs) locais às licitações municipais, o “Empresa Parceira” enfrentou um problema comum a diversas cidades brasileiras: a evasão de recursos públicos para fornecedores de outras regiões, o que acaba enfraquecendo a economia local.

“Antes, o pequeno empreendedor via a burocracia como barreira e a fiscalização como ameaça. Com o selo ‘Empresa Parceira’ e um programa estruturado de capacitação e desburocratização, a prefeitura passou a atuar como parceira estratégica. O resultado é concreto: mais negócios locais vendendo para o poder público, mais empregos e dinheiro circulando em Costa Rica”, destacou o prefeito Delegado Cleverson (PP).

Selo

Um dos principais diferenciais do programa foi a criação do Selo Empresa Parceira por meio de Decreto Municipal, garantindo segurança jurídica à política pública. A iniciativa, somada a uma trilha de qualificação gratuita e a um atendimento mais ágil pela Sala do Empreendedor, contribuiu para recuperar a confiança dos empresários locais.

Ao todo, 81 selos “Empresa Parceira” foram concedidos a fornecedores ativos, atestando sua regularidade e capacidade técnica. Outro avanço significativo foi a redução do tempo médio para abertura de empresas, que caiu de 48 para apenas 12 horas, com meta de atingir 2 horas até 2028. Também foi registrado um crescimento de 64% no saldo anual de empresas formais no município entre 2024 e 2025.

O programa ainda impulsionou diretamente o empreendedorismo e a formalização do trabalho. Entre 2025 e 2026, 125 novas empresas foram abertas em Costa Rica, principalmente nos setores de comércio e serviços. A estimativa é de que cada novo negócio tenha gerado entre 3 e 4 empregos diretos, fortalecendo a economia local e reduzindo a dependência de fornecedores externos.

“As compras públicas deixaram de ser uma fonte de receita que escapava do município. Agora, elas são um motor de desenvolvimento local. Esse prêmio é um reconhecimento do Sebrae a uma gestão que ousa inovar, simplificar e apostar no pequeno negócio como protagonista”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento, Airton Pereira.

Investimento

Com investimento direto estimado em cerca de R$ 32,8 mil — incluindo identidade visual, selos e produção de materiais confeccionados por costureiras locais do projeto Rica Trama —, o programa teve capacitações realizadas sem custos adicionais, graças a parcerias. O modelo, considerado de fácil replicação, já desperta o interesse de outros municípios de Mato Grosso do Sul.

O “Empresa Parceira” concorreu com outras iniciativas inovadoras na área de compras governamentais e foi selecionado pelo comitê avaliador do Sebrae devido à sua eficácia comprovada, engajamento comunitário, uso estratégico da Lei Complementar nº 123/2006 (Lei Geral da MPE) e capacidade de transformar a relação entre o poder público e os empreendedores.

Assine o Correio do Estado

Homicídio

Morte em show sertanejo em Chapadão do Sul pode estar ligada à facção, diz polícia

Mateus Almeida Costa no último final de semana pode ter ligação com organização criminosa

05/05/2026 17h15

Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga a possível ligação com organização criminosa na execução do ajudante de pintor Mateus Almeida Costa, de 27 anos, morto a tiros durante um evento com show da cantora Naiara Azevedo, em Chapadão do Sul no último final de semana. A informação foi confirmada nesta terça-feira (5), três dias após o crime.

O homicídio ocorreu na madrugada de sábado (2), logo após a apresentação da artista, durante o Festival Gastronômico realizado na Praça de Eventos do município, a 331 quilômetros de Campo Grande. Mateus foi atingido por diversos disparos e morreu após ser socorrido. Um jovem de 21 anos também foi baleado pelas costas, está em estado grave e precisou ser transferido em vaga zero.

Segundo a Seção de Investigações Gerais (SIG) da delegacia local, o ataque foi premeditado e executado com divisão de funções entre os envolvidos. As apurações apontam a atuação de um atirador, um condutor de veículo e outros participantes responsáveis pelo apoio logístico e tentativa de ocultação de provas.

Até o momento, três suspeitos (um de 22 anos e dois de 23) foram presos em flagrante. Um quarto envolvido, já identificado, segue foragido. Durante a ação policial, foram apreendidas duas armas de fogo, incluindo a que teria sido usada no crime, além de uma motocicleta e substâncias entorpecentes ligadas aos investigados.

A Polícia Civil afirma que há indícios de conexão do crime com facção criminosa, hipótese que será aprofundada ao longo do inquérito. As investigações seguem em andamento para esclarecer a motivação e identificar outros possíveis participantes.

No dia do crime, policiais militares que faziam o policiamento do evento ouviram os disparos e correram até a região dos banheiros públicos, onde encontraram a vítima caída. Mateus foi atingido na cabeça, pescoço e tórax.

Testemunhas chegaram a relatar versões divergentes sobre os autores, mencionando inicialmente dois suspeitos com roupas distintas. Com o avanço das investigações, no entanto, a polícia concluiu que a ação foi coordenada e envolveu mais de um participante, embora apenas um tenha efetuado os disparos.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).