Sábado, 25 de Novembro de 2017

Deficiente visual aprovada em concurso acaba desclassificada

9 FEV 2010Por 22h:26
Após ser aprovada em concurso público da Prefeitura de Campo Grande para contratação de professores, a pedagoga Telma Nantes de Matos, de 42 anos, que é cega, foi desclassificada da concorrência porque sua deficiência, segundo alegou a Prefeitura de Campo Grande, a tornaria “inapta para exercer o cargo”. O concurso, cujo resultado foi divulgado no último dia 25 de janeiro, previa vagas para contratação de professores e destinava 5% delas para pessoas com deficiências. Porém, segundo constava no edital, o candidato com deficiência deveria passar por avaliação multidisciplinar, que verificaria sua aptidão ao cargo. Para a professora, a medida é discriminatória. “Considerar uma pessoa inapta para o cargo antes da execução do trabalho e do estágio probatório é inconstitucional e discriminatório”, afirmou Telma, que é professora de educação infantil, especialista em metodologia da educação especial e atual diretora do Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos Florisvaldo Vargas (Ismac). Telma foi aprovada por acertar 75% das questões e, agora, reivindica sua contratação. “Já fui classificada e agora quero ser nomeada e quero condições para exercer meu trabalho”, reclamou a professora. Segundo a prefeitura, que se manifestou por meio da assessoria de imprensa, a administração municipal ainda não dispõe de uma sala adaptada onde a professora poderia atuar. A assessoria da prefeitura informou, ainda, que segue uma regulamentação federal que permite a avaliação de uma junta interdisciplinar para verificar a aptidão do candidato ao cargo. Outras duas concorrentes com deficiência também passaram pela avaliação e foram aprovadas. Telma Nantes de Matos já enviou ofício pedindo que a avaliação fosse revisada, porém ainda não recebeu resposta. “A cegueira não me limita a exercer minha profissão. Eu acredito que quando falamos em inclusão e acessibilidade, temos que estar preparados para viver com as diferenças. O poder público não tem nenhuma justificativa para dizer que eu não posso exercer a minha profissão. Para mim, é tudo discriminação”, desabafou Telma.

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