Plantas aquáticas flutuantes estão tomando conta do lago próximo à ponte na MS-395, onde o Rio Pardo já é represado pelo Rio Paraná
Depois de causar sérios danos ambientais no lago de 1,5 mil hectares da hidrelétrica do Mimoso, no Rio Pardo, as plantas aquáticas que se alimentam dos nutrientes despejados principalmente pela fábrica de celulose de Ribas do Rio Pardo, começam a ser alvo de reclamações também no gigantesco lago da hidrelétrica de Porto Primavera, na região de Bataguassu. O lago é o terceiro maior do Brasil, ficando atrás apenas de Sobradinho e Tucuruí.
Por enquanto, o fenômeno da proliferação desenfreada das plantas está sendo mais perceptível na região da foz do Rio Pardo no Rio Paraná. Imagens aéreas divulgadas pelo site Dahorabatagussu mostram grandes colunas das plantas flutuantes nas imediações da ponte da MS-395, região onde Rio Pardo já é represado pelo lado da hidrelétrica.
Em pronunciamento na última quarta-feira na Assembleia Legislativa, o deputado Pedro Caravina, que já foi prefeito de Batagussu, atribuiu o problema à liberação de plantas aquáticas pela hidrelétrica do Mimoso, que fica cerca de 250 quilômetros rio acima.
Porém, os mesmos nutrientes, principalmente fósforo, que geram a proliferação das plantas aquáticas no lago do Mimoso, seguem presentes nas águas que chegam à região de Bataguassu, onde o Rio Pardo volta a ser represado.
O lago da Porto Primavera tem em torno de 230 mil hectares, se estendendo das imediações da cidade de Três Lagoas até o município de Batayporã, onde está a barragem. Em tamanho, fica atrás somente do lago da hidrelétrica de Tucuruí, de 287 mil hectares, e de Sobradinho, que tem 420 mil hectares quando está cheio.
E, além dos rejeitos da fábrica da Suzano de Ribas do Rio Pardo, em torno de 206 milhões de litros por dia, o lago de Porto Primavera recebe o esgoto de outras duas fábricas de celulose, ambas instaladas em Três Lagoas.
Uma destas fábricas, da Eldorado, despeja os rejeitos no lago de Jupiá, mas alguns quilômetros abaixo esta água volta a ser represada no lago de Porto Primavera. E, assim como no caso do lago do Mimoso, o de Jupiá também sofre com o aumento das plantas aquáticas nos últimos anos.
E, a partir do final do próximo ano também receberá os rejeitos da fábrica da Arauco que está sendo construída às margens do Rio Sucuriú, em Inocência. Este rio desemboca no lago de Jupiá e depois a água desce para Porto Primavera.
Além disso, se sair do papel, a fábrica da Bracell prevista para Bataguassu também vai jogar seus rejeitos neste lago de 230 mil hectares. A previsão é de que esta fábrica comece a ser construída no começo do próximo ano e de que entre em operação 38 meses depois, ou início de 2030.
Parte das plantas aquáticas é procedente do lago do Mimoso, mas a água pouída é represada em Bataguassu e elas segue crescendoEm seu pronunciamento, o deputado Caravina cobrou explicações do Imasul sobre justificativas técnicas que tenham levado o órgão ambiental a permitir a abertura das comportas e liberação das plantas aquáticas. Cobrou também medidas concretas para retirada as plantas das águas e fechamento das comportas do Mimoso.
Embora tenha cobrado providências para solução definitiva do problema, já que a abertura de comportas somente transfere as plantas para regiões mais abaixo, o deputado ignorou a real causa desta proliferação, que é o despejo de esgoto com forte presença de poluentes.
Relatório do Imasul divulgado no começo de agosto revela que antes do despejo dos rejeitos da fábrica da Suzano a quantidade de partículas de fósforo por miligrama de água é de 90. Depois, esta quantidade chega a até 3.037, o que é 30 vezes acima do tolerável.
E por conta desta poluição, em meados de julho 18% do lago do Mimoso estavam cobertos pelas plantas flutuantes. Após seguidas aberturas de comportas em pleno período de estiagem, este percentual havia recuado para 12,8% no dia 14 de agosto, segundo a Elera Renováveis. E são estas plantas que agora estão gerando reclamações na região de Bataguassu, já que elas, com nutrientes suficientes, chegam vivas ao lago de Porto Primavera.
A Suzano garante que trata seus efluentes de acordo com as exigência dos órgãos ambientais. Porém, não existe na legislação um limite máximo de partículas de fósforo que pode ser despejada nos rios. A lei é clara, porém, que o despejo de efluentes não pode alterar as condições de qualquer rio, independentemente de sua vazão.
O relatório do Imasul, porém, atesta que acima da fábrica da Suzano o rio apresenta grau três de poluição, o que é aceitável, segundo os técnicos. Depois, contudo, o Rio Parto é considerado hipereutrofizado, que é o pior nível possível de poluição na escala que tem seis níveis.