Sexta, 17 de Novembro de 2017

Debate democrático

3 JUL 2010Por 23h:59
Protestos para evi-tar que recursos naturais  ou que residências sejam afetadas para implantação de obras de infraestrutura urbana é algo que vez ou outra acontece, embora não seja  tão comum assim em Campo Grande. Os protestos por conta da implantação da Avenida Interlagos na área de uma reserva ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a resistência de famílias em deixar as margens do Córrego Cabaça, para ampliação da Via Morena, são exemplos recentes disso na Capital. A preservação de patrimônios históricos é outra preocupação que está cada vez mais presente na hora de implantar determinadas modificações em qualquer cidade brasileira.
    O monumento do "Guerreiro do Pantanal", erguido na entrada do Comando Militar do Oeste, porém, não se enquadra em nenhuma dessas situações. Por isso, certamente, o bom senso falou mais alto e os militares concordaram com sua remoção, o que aconteceu ontem, um dia depois de reunião na qual se chegou a um acordo neste sentido.
    Não se trata de entrar no mérito da importância do monumento em si, tanto para o Exército quanto para o Panantal ou para a cidade como um todo. A questão era sua localização. A montagem do "jacaré-soldado" foi concluída em dezembro do ano passado, cerca de dois meses depois do lançamento da obra de pavimentação que seria implantada na região. Ou seja, faltava muito para que aquela escultura fosse considerada um patrimônio histórico, já que não completou seu primeiro aniversário. E, se houvesse um mínimo de planejamento, ela não seria instalada naquele local, pois se sabia que cedo ou tarde seria  obstáculo para implantação da Via Morena, obra que está sendo executada com recursos federais.
    Além disso, por mais relevante que seja para o Exército ou por maior que tenha sido o número de admiradores da escultura, o bem comum precisa ficar acima do interesse particular. Possivelmente, se os militares ainda estivessem no poder, a vontade deles sairia vitoriosa.     
    É evidente que qualquer organização ou qualquer cidadão precisa ter preservado o direito de defender seus interesses ou suas opiniões, principalmente uma instituição secular como o Exército. Então, natural que os autores da escultura defendessem a sua permanência no local. Porém, como os tempos são outros, a maturidade e o bom senso falaram mais alto, embora o simples fato de a situação chegar ao ponto que chegou, demandando a interferência direta do prefeito no caso, mostra que ainda existem aqueles que não perceberam que os tempos são outros. O resultado disso, contudo, é que agora, por conta da polêmica, o "Guerreiro do Pantanal" acabou ganhando notoriedade bem maior do que antes e, dependendo do local para onde será transferido, aí sim poderá ser transformado numa espécie de símbolo local, já que a fauna pantaneira tem imenso potencial turístico, não só na região dos alagamentos, mas no Estado inteiro.

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