Segunda, 20 de Novembro de 2017

De volta ao lar

26 ABR 2010Por 21h:57
Mauro Trindade, TV Press

É difícil deixar um grande sucesso para trás. Especialmente se o sucesso tem as dimensões de “Os normais”, que se tornou tão querido na tevê que logo se esparramou na tela mais confortável do cinema. Daí “Separação?!”, a mais nova empreitada dos mesmos responsáveis por “Os normais”, os roteiristas Alexandre Machado e Fernanda Young e o diretor José Alvarenga Júnior. “Os normais” ficou na Globo de 2001 a 2003, foi para o cabo, o DVD e, juntos, os filmes “Os normais” e “Os normais 2 – A noite mais maluca de todas” abiscoitaram mais de 5 milhões de espectadores.

No centro de tudo, estava uma dupla de dois loucos reunida em um casamento heterodoxo. Com “Separação?!”, o tema ganha uma sutil variante: agora é a vez de duas pessoas enlouquecerem pelo casamento. Diretor e roteiristas criaram uma nova comédia de costumes na qual a insanidade das cenas não cabe mais às loucuras pessoais de Vani, de Fernanda Torres, e Rui, de Luiz Fernando Guimarães, os furiosos protagonistas de “Os normais”.

Agora é o próprio relacionamento, desgastado pelo estresse do cotidiano, que tensiona Karin, de Débora Bloch, e Agnaldo, de Vladimir Brichta, a uma troca permanente de ofensas e total incapacidade de compreender a própria situação-limite na qual se encontram. O “non-sense” das cenas é pelo cotidiano caótico das relações humanas. Bloch transforma sua Karin em uma criatura ansiosa por expressar seu ressentimento de forma explosiva. E Brichta dá continuidade – e torna um pouco mais áspero – ao seu motorista de táxi Oswaldir, do bom e prematuramente extinto seriado “Faça a sua história”. É um trapalhão sempre pronto a entrar nas maiores enrascadas.

Igualmente eficientes são as coadjuvantes Rita Êlmor, como a bipolar chefe de corretagem Anete, e Cristina Mutarelli, que vive a sádica e alcoólatra diretora escolar Cinira. Toda a narrativa tem um tom farsesco, muito distante do naturalismo dos folhetins e com um cinismo e verve ácida bem diferente do humor sedado de “S.O.S. emergência” e dos repetitivos bordões de “Zorra total”.
Os satisfatórios índices de audiência, em torno dos 18 pontos, apontam para mais um sucesso. Na era da tevê digital “Full HD” e do televisor com imagem em três dimensões, o centenário teatro burlesco e o “vaudeville” de Feydeau, Bittencourt e cia. vão muito bem, obrigado.

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