Terça, 21 de Novembro de 2017

Da diligência

20 AGO 2010Por 05h:24
A diligência é um fator essencial para que cada um de nós possa evoluir,  é requisito indispensável para quem quer enriquecer espiritualmente. E o que é ser diligente? É ter uma visão clara e precisa de onde se quer chegar, trabalhar de forma inteligente, correta, com prontidão, honestidade, eficácia e eficiência, para alcançar um resultado de excelência. Coisa simples na teoria, mas nem sempre na prática. Caso contrário, seríamos todos irrepreensíveis.
Eu comecei a trabalhar com 7 anos de idade, a partir do momento que cheguei com  minha família a Campo Grande, vindos do Paraguai. Precisava ajudar o meu pai. Vendia bilhetes de loteria na rua. E também cigarros em uma bandeja no Bar Bom Jardim, onde meu pai alugou um espaço para fritar pastéis e salgados que o bar não oferecia a seus clientes. Tinha também uma engraxataria em frente. E, assim, desde criança sou afeito ao trabalho.
Estudei no  Externato São José, da professora Simpliciana Corrêa, de quem levei alguns cascudos bem doídos. Por lá também lecionava sua bonita sobrinha, professora Circe, solteira, objeto de muitos sonhos inconfessáveis dos meninos da turma. Ali, concluí o curso primário, depois de terminar a minha alfabetização com a professora Henedina  Hugo Rodrigues. Prestei o exame de admissão no Colégio Osvaldo Cruz, onde cursei a primeira série ginasial. Por necessidade de trabalho, a partir daí passei a estudar à noite no Ginásio Barão do Rio Branco, e lá  terminei o curso ginasial. Depois disso, fui para a Escola Técnica de Comércio Carlos de Carvalho, onde concluí o curso de  contabilidade, em 1958, aos 18 anos de idade.
Naquela época, as pessoas que estudavam à noite eram mais velhas, e eu era um guri, esperto, presunçoso e arrogante por ver que os meus colegas tinham  dificuldade em acompanhar as aulas, e me julgava superior à turma.
Sentei praça, no ano seguinte,  na 4ª Companhia Média de Manutenção, onde fui submetido a uma severa disciplina –  que me foi  corretiva e orientadora para  toda a vida, e lá também aprendi o valor da solidariedade e do sentimento do dever cumprido. Na Companhia tinha um sargento, Gimie Silva de Deus, que me deu uma lição duradoura. Ele me disse: “Heitor, você é de longe,  o mais inteligente de todos os seus colegas. Mas essa sua inteligência, longe de te aproveitar, te atrapalha, porque em nome dela você é muito negligente”. Eu nunca esqueci isso. E essa fala contribuiu para uma profunda e transformadora mudança na minha vida. Dei baixa como cabo. No exército, aprendi também um comportamento que defini depois como “a cultura do ateniense aliada à disciplina do espartano”.
Foi a partir daí que comecei a conhecer a diligência e a importância de agir em parceria, respeitar a todos e procurar me associar aos outros em minhas atividades, quaisquer que fossem. E sempre me cerquei de gente inteligente, embora ao longo da minha vida,  muitas vezes a arrogância e a presunção se fizessem presentes, para minha grande decepção comigo mesmo.
A diligência não é inata ao homem, ela precisa ser adquirida, conquistada, e essa conquista combina persistência criativa, esforço inteligente executado de forma honesta, sem atrasos e adiamentos, que nos confere  sabedoria, e deve ser complementada com ações conscientes de modo a se alcançar um resultado de excelência. Muitas vezes, nós dizemos: “Eu não posso fazer isso, porque eu não sou assim”. Mas pode ser. Depende de cada um.
Porque há uma tendência:  utilizar a lei do menor esforço. E assim perder a oportunidade de fortalecer a nossa estrutura mental através do trabalho. E alcançar nossos objetivos. Isto porque a preguiça, esta sim, é inata ao ser humano, e age de uma forma sutil através do adiamento das ações que se fazem necessárias causando-nos prejuízos que com sua continuidade geram um resultado nefasto.. Daí a necessidade de estarmos sempre vigilantes, atentos e dispostos, para não nos deixarmos vencer. E para atingirmos a diligência é indispensável termos uma visão clara e precisa do objetivo que  pretendemos atingir.
Outro obstáculo é a comunicação malfeita. Temos que considerar também que há uma comunicação verbal e outra não-verbal; e esta muitas vezes se torna mais eficaz pela leitura que se faz dos gestos, do tom de voz, das expressões faciais.
Proponho, afinal,  que se aceite a diligência, com todos os seus predicados, como uma das formas mais adequadas para a evolução.

Heitor Freire, Corretor de imóveis e advogado

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