Sábado, 18 de Novembro de 2017

Cultura não é luxo!

9 ABR 2010Por 19h:59

Thiago Andrade

A Economia da Cultura é um campo novo, no qual as abordagens e referenciais da teoria econômica são utilizadas para entender e otimizar as formas pelas quais a cultura produz capital, empregos e renda. Com o objetivo de fomentar o debate em torno da questão com gestores, produtores, artistas e professores de estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, a Associação Brasileira de Gestão Cultural (ABGC), junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDS), promove o “Seminário itinerante de economia da cultura e desenvolvimento”.

O evento foi realizado em Campo Grande na última quinta-feira e contou com apoio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), por meio do Arquivo Público Estadual. Além do seminário, também aconteceu o lançamento do livro “Economia da cultura: Idéias e vivências”, que conta com texto de autores diversos.
Participaram das palestras, Kátia de Marco, presidente da associação,  o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),  Leandro Valiati, e Ana Carla Fonseca Reis, consultora em Economia da Cultura da Organização das Nações Unidas (ONU). Eles abordaram temas como a relação entre a cultura e a economia na história, o contexto cultural brasileiro e o que é a economia da cultura.

Economia
“É fundamental para os produtores de atividades culturais entenderem o funcionamento do mercado. Embora falte capacitação nessa área em todo o País, a demanda é grande e o setor vai se desenvolver”, explica Leandro.
O seminário vai circular por 12 capitais das regiões Norte, Nordeste e Sudeste. “Essas regiões são as que recebem os menores investimentos públicos ou privados na área cultural, por isso foram escolhidas. Queremos conscientizar os produtores dá necessidade de se fortalecer essa economia, pois, este é um dos modos de desenvolvê-la”, esclarece Kátia de Marco.
Segundo Leandro, um dos conceitos mais importantes no desenvolvimento de uma economia da cultura é torná-la autossustentável. “O que isso significa? A cultura precisa suprir suas necessidades de lucro, seja por apoio de instituições ou do próprio público, produzir estoque e ser capaz de se manter”, defende Leandro. Professor de Economia da Cultura, ele acredita na necessidade de discussões acerca de políticas públicas que permitam às atividades culturais sua sobrevivência sozinha.
“Economia da Cultura é isso: aplicar o instrumental oferecido pela economia em busca de um desenvolvimento cultural sustentável”, aponta o professor. Contudo, ele alerta para a necessidade de formação de produtores culturais. “Por ser um campo nascente, em pleno desenvolvimento, é importante conhecer bem e especializar-se em suas questões”, argumenta.

Momento atual
As novas tecnologias provocaram mudanças profundas nos modos de produção e circulação de bens e serviços, principalmente, na área cultural. “A questão de fluxo da produção é algo que precisa ser discutido, assim como os meios de produção cultural atuais”, indica a consultora Ana Carla Fonseca Reis, que também é fundadora da empresa Garimpo Soluções, que atua no campo de gestão e economia da cultura.
“Estamos em um momento em que a cultura deve se integrar às outras áreas, como o turismo, a educação, a saúde e, mesmo, a justiça. A cultura precisa ser encarada como uma necessidade da população, assim como o saneamento básico e as escolas de qualidade”, acredita Ana Carla.
Segundo a consultora, durante muito tempo, a cultura encontrou financiamento apenas em medidas estatais, mas chegou o momento de mudar. “A iniciativa privada era vista como algo malévolo, mas, hoje, para que a economia da cultura seja bem-sucedida, precisamos pensar  entrelaçar o poder público, privado e a própria população”, defende.
Ana Carla afirma que é necessário fazer com que a população entenda que o produto cultural tem seu valor. “As pessoas precisam aprender a relativizar. Vale mais uma peça de teatro ou uma camiseta? Muitos dirão que a camiseta é um bem durável, mas a cultura também é. O bem-estar provocado por ela é um grande fator de mudança social”, defende. Na visão de Ana, sem o fomento do acesso por meio de medidas que demonstrem que a cultura é para todos, de nada serve financiar grandes produções que vão atingir sempre o mesmo grupo de pessoas.

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