Sábado, 25 de Novembro de 2017

Cultivo da pimenta ganha espaço na agricultura familiar

15 MAR 2010Por 20h:28
A produção comercial de pimenta na agricultura familiar começa a ganhar espaço em Mato Grosso do Sul. A partir de agora, oito produtores de Terenos vão fornecer semanalmente quatro variedades do condimento para ser distribuídas pela Central de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (Ceasa): comari, dedo-de-moça, malagueta e bodinho. A primeira venda foi fechada esta semana entre produtores do município e a Central, em Campo Grande. A comercialização sela mais um passo do projeto Território da Reforma, uma iniciativa da Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar/MS) que visa inserir no mercado os produtos da agricultura familiar. O produtor Nicanor Antônio Ramos lidera esse grupo. Em sua propriedade de 12 hectares, onde trabalha há oito anos, ele produz mel e cultiva produtos da olericultura, que são hortaliças como cebola, batata, cenoura e outros da cultura de hortas. “Fazer parte do Território deu um giro de 180 graus no meu trabalho. Dentro do projeto, conheci o Terrativa, que nos encaminha para a produção de orgânicos e hoje já estou a caminho da certificação desses produtos”, relata Ramos. Para a primeira entrega, os produtores de Terenos mandaram 38 quilos, mas Nicanor já planeja aumentar a produção de 300 para 500 pés de pimenta. A dificuldade de muitos produtores é justamente de escoar o que plantam, mas ao menos para o grupo de Terenos isso não será problema. Segundo o comprador das pimentas, Jocimar Gomes França, da distribuidora Estância Chic, o público comprador de pimenta é bom e se a produção aumentar ele vai adquirir os lotes. “O nosso interesse é manter a parceria com os produtores”, ressalta. Ele também faz uma análise da atuação que o Território tem junto aos agricultores. “Esse é um projeto interessante. Muitas vezes o produtor se preocupa muito em plantar e depois acaba não tendo como vender essa produção”, diz. Nicanor compartilha desta opinião e afirma que antes vendia apenas para o Mercadão. A partir de agora entrega também na Ceasa e já tem mais planos para seu trabalho em Terenos. “A minha ideia é reunir os produtores de pimenta da minha região e montar uma fábrica de conservas, e assim, agregar valor ao produto”, avalia. Outra ação do projeto é a utilização de um selo que especifica para o consumidor que o produto que ele está comprando é da agricultura familiar e faz parte do Território da Reforma. O selo é colado em todos os produtos vendidos. No caso das pimentas, elas são todas colocadas em bandejas e recebem o selo. A Estância Chic vende produtos já embalados para supermercados de todo o Estado. Além de Campo Grande, mais 34 municípios do interior compram da empresa. “É interessante ter vários mercados, principalmente porque as pessoas podem conhecer mais produtos e estes são orgânicos. Antes, havia um mito de que o alimento orgânico era feio, hoje a qualidade não perde em nada para o outro. Equilibrando a natureza, ela mesmo se encarrega de eliminar pragas”, considera Nicanor. Território da Reforma O Projeto de Apoio à Produção Sustentável no Território da Reforma tem o objetivo de desenvolver os pequenos negócios rurais, fortalecendo a organização, diversificação e sustentabilidade do agronegócio. Tem como metas aumentar a venda de produtos da agricultura familiar no mercado local, gerar novos postos de trabalho, aumentar a renda dos produtores rurais e diversificar as matrizes econômicas. O Território da Reforma é uma iniciativa da Fundação Educacional para o Desenvolvimento Rural (Funar) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Desenvolve ações nos municípios de Anastácio, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Dois Irmãos do Buriti, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Maracaju, Nioaque, Sidrolândia e Terenos.

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