Segunda, 20 de Novembro de 2017

Cuidados com o motor do carro novo

23 JUL 2010Por 10h:47
Rodrigo Machado, Auto Press

Antigamente, todo carro novo era alvo de uma atenção especial. Não só nas ruas, mas também de quem dirigia. Era preciso amaciar o motor e tomar cuidado com a transmissão até que os componentes mecânicos se ajustassem. Mas a modernização fez com que as fábricas evoluíssem o processo de produção. E os carros deixaram de exigir tantos cuidados. Mas, não se sabe bem o porquê, de uma hora para outra a redução de cuidados virou cuidado nenhum. Passou-se a acreditar que os carros modernos saíam da fábrica prontos para o uso, sem maiores preocupações. E a situação se agrava pelo enorme número de consumidores que estão comprando um zero-quilômetro pela primeira vez.
As principais recomendações estão naquele livro que só serve para ocupar lugar no porta-luvas, o manual do proprietário. É ali que a montadora explica como o automóvel deve ser tratado nos seus primeiros instantes de utilização. Lá mostra, por exemplo, como “amaciar o motor”. A técnica é indicada pela grande maioria das montadoras para os primeiros 2 mil quilômetros. “Nessa fase, alguns componentes do motor ainda estão em processo de assentamento. Claro que atualmente, mesmo que o cliente use o carro em últimas rotações, o motor não quebra como antigamente, mas o mau uso nos primeiros 2 mil km vai prejudicar o desempenho depois”, explica Luis Carlos Bouças, instrutor técnico da Audi.
A mudança de jeito como se trata o motor nos seus primeiros dias é tamanha que até a expressão “amaciar o motor” caiu em desuso nas montadoras “Hoje, os propulsores já vem pré-amaciados de fábrica. A partir daí dizemos que o motor passa por um período ‘verde’. Nesse intervalo de tempo, que está cada vez menor, indicamos ao cliente que use o carro de forma mais comportada e moderada”, reforça Reinaldo Nascimbeni, supervisor de serviços técnicos de automóveis da Ford.
Outro cuidado que foi mudado ao longo dos anos graças ao avanço da tecnologia automotiva é a primeira troca de óleo. Antigamente, ela precisava ser feita logo nos primeiros mil quilômetros pela grande quantidade de resíduos resultantes das primeiras partidas do motor. Hoje, para se previnir e facilitar a vida do cliente, as montadoras usam um óleo especial no primeiro momento, que permite que a troca seja feita na tradicional marca de 10 mil km.“Recomendamos sempre olhar o nível do óleo a cada 500 km ou antes de viagens longas”, indica Carlos Henrique Ferreira, assessor técnico da Fiat.
O uso comedido do carro no começo de sua existência é importante ainda para os componentes de segurança do automóvel. Pneus e freios, por exemplo, também precisam de um tempo para atingir o seu nível máximo de desempenho. Já que estes equipamentos são fundamentais no comportamento dinâmico, não é recomendado que se force muito o uso deles. “Os pneus precisam de 300 km para alcançarem a aderência ideal. Já nos freios são necessários cerca de 500 km para terem sua eficácia normal. Em carros manuais, a embreagem também necessita de cerca de 500 km para atingir um funcionamento perfeito”, lembra Luiz Estrozi, gerente de serviços e planejamento da BMW. A marca bávara ainda tem um cuidado especial com os modelos preparados pela Motorsport, divisão esportiva da marca alemã. “Temos uma revisão especial nesses veículos aos 2 mil km, mais pela maneira que o cliente dirige, geralmente forçando bastante. No restante da linha, a recomendação é não passar das 4.500 rpm e dos 160 km/h nos primeiros 2 mil km”, conclui.

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