Política

PRESIDÊNCIA DA ARGENTINA

Cristina Kirchner assume 2º mandato

Cristina Kirchner assume 2º mandato

AGÊNCIA BRASIL

10/12/2011 - 12h47
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Primeira mulher eleita e reeleita presidenta da Argentina, Cristina Kirchner assume hoje (10) o seu segundo mandato de quatro anos. Ela conta com o apoio da maioria do Congresso e do eleitorado. Na eleição do dia 23 de outubro, obteve 54% dos votos – mais do que todos os presidentes que governaram nos últimos 28 anos de democracia.

Cristina deve sua vitória ao bom desempenho da economia e à fragmentação da oposição. Ela sucedeu o marido, Nestor Kirchner, que morreu no ano passado. Ele foi eleito em 2003 com apenas 22% dos votos. Na época, a Argentina saía de uma das piores crises econômicas e políticas de sua história, parecida com a crise que hoje atinge a Europa. O país aguentou anos de recessão e de acordos jamais cumpridos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), antes de decretar a moratória da dívida externa e desvalorizar o peso.

Desde 2003, a economia argentina tem crescido em média 7% ao ano, graças em parte ao aumento dos preços do petróleo e de produtos agrícolas, como a soja. Mas o terceiro governo kirchnerista enfrenta hoje novos desafios. O principal é equilibrar as contas em meio a uma crise econômica internacional.

“Cristina Kirchner enfrenta hoje uma conjuntura econômica diferente daquela que encontrou quando foi eleita pela primeira vez”, disse o analista político Rosendo Fraga, em entrevista à Agência Brasil.

A economia e as exportações da Argentina continuam crescendo. Mas, no primeiro governo de Cristina, os gastos públicos também subiram. “Desde 2007, aumentaram 30% ao ano”, disse à Agência Brasil o economista Fausto Spotorno. Com isso, a Argentina, que tinha um superávit fiscal, hoje é deficitária.

Após ter sido reeleita, Cristina anunciou medidas para enxugar a economia e frear a saída de dólares do país. Ela manteve os programas de ajuda social, mas cortou os subsídios do governo que beneficiavam, além dos pobres, empresas e consumidores das classes média e alta.

Desde a crise de 2001, o governo congelou as tarifas de gás, luz e água, cobradas dos consumidores. Os aumentos das empresas eram financiados pelo Estado argentino. A partir de janeiro, não serão mais. Quem quiser se beneficiar dos subsídios terá que provar para a Afip (a Receita Federal argentina) que não está em condições de pagar suas contas.

O governo também impôs novos controles ao câmbio. Os argentinos que quiserem comprar dólares terão que pedir permissão ao Fisco e provar que têm em volume suficiente pesos declarados para realizar a operação. Na Argentina, essa medida tem um impacto grande: muitas pessoas estão acostumadas a poupar em dólares, e a guardá-los fora do sistema financeiro, para se protegerem das eventuais crises.

Além de enfrentar um panorama de crise mundial, Cristina Kirchner tem um desafio político pela frente: controlar os sindicatos, aliados ao governo. Eles pedem aumentos salariais de mais de 20% (índice de inflação das consultoras privadas, que representam o dobro do oficial). Os sindicalistas também querem pagar menos impostos e uma participação nos lucros das empresas. Cristina já disse que não cederá – uma decisão que foi bem acolhida pelo empresariado.

“Cristina manteve o discurso: quer que os empresários invistam mais no país. Mas deu um basta às reivindicações dos sindicatos, algo que os empresários interpretaram como positivo”, disse Rosendo Fraga.

Presidentes de vários países estarão presentes na segunda posse de Cristina Kirchner, entre eles Dilma Rousseff, que desembarcou em Buenos Aires ontem (9) à noite. Hoje, antes da cerimônia de posse, a presidenta brasileira terá um encontro com o presidente de Honduras, Porfírio Lobo. Na agenda, o interesse de empresas do Brasil de participar de obras de infraestrutura e a cooperação brasileira em programas sociais hondurenhos.

oposição forte

Governabilidade de Lula exigirá negociação e acordos além da Esplanada

Apoio popular não será suficiente para atrair congressistas

03/11/2026 23h00

Presidente Lula

Presidente Lula Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula foi reeleito, em outubro, com 64 milhões de votos, o maior número absoluto da história das eleições presidenciais brasileiras. Embora o resultado seja mais expressivo que o da eleição de 2022, não significa que o presidente terá facilidade para governar. Com a oposição fortalecida no Congresso Nacional, o novo mandato exigirá negociação permanente e a construção de alianças amplas.

Os desafios para a governabilidade foram um dos temas do Seminário Brasil 2027 – Desafios do Novo Ciclo, da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, semana passada. O evento reuniu especialistas para discutir o cenário que emerge das urnas.

Um dos principais obstáculos à formação de uma maioria parlamentar é o avanço de representantes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. Considerando também partidos como Progressistas (PP) e Republicanos, a direita terá mais da metade das cadeiras no Congresso, destacou o professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Lúcio Rennó.

“Temos uma ideia de um presidente como líder de governo que ganha um mandato direto do país para implementar políticas públicas e funcionou assim por décadas, mas, nos últimos 15 anos, mais ou menos, uma série de reformas desequilibraram a balança em prol do legislativo e em detrimento do executivo”, analisa o professor.

Além da dificuldade para formar maioria, o governo poderá enfrentar uma oposição disposta a obstruir sua agenda. A avaliação é do cientista político Cláudio Couto, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

 “A gente está falando de uma direita anti-Estado Democrático”, destaca.

“É uma direita que não reconhece a legitimidade do adversário e deve operar em lógica de sabotagem”.

Couto cita como exemplo a resistência de parlamentares à reforma tributária proposta pelo governo Lula, que, segundo ele, ocorreu simplesmente por se tratar de uma iniciativa do Executivo, apesar de contar com o apoio de representantes do campo bolsonarista, como o senador Ciro Nogueira (PP). 

Centrão deverá integrar o governo
Diante desse cenário, os partidos de centro, reunidos sob a denominação de “centrão”, terão papel estratégico na tentativa de construir uma maioria parlamentar, sobretudo na Câmara dos Deputados. Para Couto, a negociação com esses grupos será fundamental para viabilizar a agenda do governo. 

Um dos primeiros testes dessa articulação será a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. O resultado poderá influenciar a capacidade do Executivo de negociar projetos e avançar em suas prioridades. 

“Quem manda no país hoje são dois atores chave: o presidente da Câmara e o do Senado, eles definem a agenda legislativa, controlam a possibilidade de impeachment e inúmeras nomeações, como para [ministros do] o Supremo Tribunal Federal, além da alocação de verbas de emendas parlamentares”, lembrou o professor da UnB.

A interlocução com o centrão, no entanto, não será suficiente por si só. Os especialistas também apontam a necessidade de aprimorar a coordenação política dentro do próprio Executivo, fazendo com que integrantes do governo indicados pelas bancadas dos partidos atuem em favor da agenda do governo no Congresso Nacional.

Ainda assim, a tendência é que os projetos enviados pelo Executivo incorporem desde a elaboração os interesses de diferentes grupos da base aliada. Isso exigirá negociações mais detalhadas, possivelmente em torno de “cada palavra do texto” das propostas.

“O Congresso vai querer mexer em tudo. E o que for aprovado daqui para frente será uma agenda que refletirá interesses do Executivo e de sua base no Congresso”, analisou Couto. Nesse caminho, a Casa Civil será fundamental para mediar a relação entre aqueles partidos com representação no governo e no Congresso, pontuou o cientista político.

Em discursos, Lula tem afirmado que o cenário não é tão adverso e que pretende construir pontes com o Parlamento para avançar na agenda do Executivo. De fato, segundo os especialistas, o terceiro mandato, apesar do cenário eleitoral desfavorável após o primeiro turno, aprovou pautas importantes, como o fim da escala 6x1.

"O jogo não acabou"
Além da negociação parlamentar, a mobilização da sociedade poderá ser um instrumento para sustentar a agenda do governo e defender pautas democráticas, acrescenta a professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio Talita Tanscheit.

Para a pesquisadora, o Partido dos Trabalhadores (PT) precisa manter “vínculos permanentes” com os movimentos progressistas da sociedade, de forma a incorporá-los ao debate político. Outra possibilidade, destaca, é a ampliação da participação social por meio de conselhos, conferências e outros mecanismos de gestão compartilhada.

“O segundo turno trouxe de volta à cena um ator que não estava presente desde a pandemia de covid-19: a sociedade civil e os movimentos sociais”, diz.

Para Talita, enfrentar um legislativo hostil deve passar por “inovações democráticas”.

A professora também chama atenção para o caráter da mobilização observada no país durante o segundo turno. Na avaliação dela, foi uma experiência inédita na América Latina nos últimos dez anos. “É a primeira experiência de protesto com o objetivo claro de colocar voto na urna. Em outros protestos, como no Chile e na Colômbia, citou, a intenção era a de derrubar governos e suas agendas econômicas. 

Desafios para a democracia

Para os especialistas, a eleição de Lula foi importante para a continuidade da democracia no país, mas a resistência de setores da direita poderá impor limites à agenda do governo. Nesse contexto, temas defendidos pela extrema-direita, como a redução da maioridade penal e a reforma do Judiciário, poderão entrar nas negociações políticas.

Couto avalia que a redução da maioridade penal para 16 anos, por exemplo, representaria uma proposta intermediária em relação à defendida por setores mais radicais. “A redução para 16 anos parece uma proposta mediada”, avalia. A extrema-direita defendia a redução para 14 anos em casos de crimes hediondos.

Em relação ao Judiciário, o debate sobre uma reforma também deverá ganhar espaço, em meio às críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao envolvimento de ministros com o Banco Master. Uma das propostas em discussão prevê retirar da Corte atribuições relacionadas à Justiça Penal e impor mandatos aos magistrados.

“A vitória expressiva do PL, principalmente no Senado, retrata a insatisfação popular com o STF”, avaliou Rennó. “Então, com a sua legitimidade abalada, não só a discussão do impeachment volta à tona, mas a de reformas profundas”, conclui.

Justiça Eleitoral

TRE-MS retoma emissão e regularização do título eleitoral

Serviços estavam suspensos desde maio; em Campo Grande, atendimento presencial ocorre em dois locais, além da opção pela internet

03/11/2026 16h50

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) retomou nesta terça-feira (3), o atendimento para emissão e regularização do título eleitoral. Os serviços estavam suspensos desde 7 de maio, durante a preparação das Eleições 2026. Com a reabertura do cadastro, os eleitores podem solicitar o primeiro título, transferir o domicílio eleitoral, atualizar dados pessoais e regularizar inscrições com pendências.

Os serviços estão disponíveis presencialmente nos cartórios eleitorais e pela internet, por meio do Autoatendimento Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pela plataforma, é possível preencher requerimentos e acompanhar as solicitações. Em alguns casos, o eleitor precisa comparecer a uma unidade para concluir o procedimento.

Em Campo Grande, o atendimento presencial ocorre de segunda a sexta-feira em dois locais. No Fórum Eleitoral, na Rua Delegado José Alfredo Hardman, 180, no Jardim Veraneio, o funcionamento é das 12h às 19h. Já no Memorial da Cultura Apolônio de Carvalho, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, no Centro, o atendimento é das 11h às 18h.

A retomada também permite solicitar a regularização de inscrições canceladas ou com pendências, conforme cada situação. A certidão de quitação eleitoral, que comprova que o cidadão está em dia com suas obrigações perante a Justiça Eleitoral, pode ser emitida gratuitamente pela internet, na opção “Certidões” do Autoatendimento Eleitoral. Caso não seja possível obter o documento on-line, a orientação é procurar uma unidade para verificar a situação cadastral.

O fechamento do cadastro eleitoral é uma medida prevista na legislação e ocorre antes das eleições para que a Justiça Eleitoral consolide os dados do eleitorado, organize as listas de votação e prepare os procedimentos necessários ao pleito. A suspensão deste ano seguiu a Resolução TSE nº 23.750/2026. Nos demais municípios de Mato Grosso do Sul, os cartórios eleitorais atendem de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h. Os endereços podem ser consultados no site do TRE-MS.

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