Domingo, 19 de Novembro de 2017

Crianças brincam “caçando dengue”

24 FEV 2010Por 06h:56
De segunda a sexta-feira, os amigos Israel da Silva, de 10 anos, e Breno Carvalho, de 7 anos, moradores do Bairro Zé Pereira, divertem-se procurando e eliminando, em meio ao lixo, recipientes que acumulam água a fim de acabar com a “dengue” — como eles chamam as larvas do mosquito Aedes aeg ypti, transmissor da enfermidade. A inocente brincadeira dos “caçadores de dengue”, porém, só é possível devido a ações nada exemplares dos adultos: em praticamente todas as vias do bairro há montes de entulhos nas calçadas e nas ruas, além de garrafas e vasilhas que se tornam criadouros do mosquito. Os amigos foram encontrados brincando na Rua Itapetininga, entre as ruas Sarutaia e Seu Né. Desde o fim do ano passado, o lixo ocupa meia-pista e, a cada dia, a área aumenta. A dupla, que estuda na Escola Municipal Desembargador Carlos Garcia de Queiróz, sobe na montanha de entulho e pega latas, embalagens de produtos de limpeza, copos plásticos. “Começamos a fazer isso quando vocês vieram aqui”, lembrou Israel, referindo-se ao dia 5 de janeiro, quando a reportagem do Correio do Estado foi até o bairro para falar sobre o mesmo problema, que não foi resolvido. “Depois que chove nós procuramos onde tem água parada, despejamos longe, colocamos tampinha nas garrafas. Depois jogamos na lixeira”, ensinou o pequeno Breno, que cursa o 3º ano do ensino fundamental. Segundo os “caçadores de dengue”, aprenderam sobre as medidas de combate ao mosquito na escola. O bom exemplo das crianças não é seguido pelos adultos. Na Rua Homero Lima, por exemplo, em apenas uma quadra havia cinco montes grandes de lixo na rua. “Está assim desde novembro. Os moradores pensaram que haveria mutirão de limpeza e todo mundo começou a despejar na rua, para os caminhões da prefeitura recolherem”, contou a vendedora Kelly Cristina Figueiredo.

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