Um menino de 4 anos, identificado apenas como Sérgio, está refém das consequências de uma doença dermatológica por conta da falta de atendimento médico. O caso acontece na Linha Internacional, entre o município de Coronel Sapucaia e Capitan Bado, no Paraguai.
A doença, conhecida popularmente como Fogo Selvagem, é chamada cientificamente de Pênfigo, e caracteriza-se por fazer surgir no corpo inteiro bolhas que se rompem e criam feridas em carne viva, que se não forem devidamente tratadas, evoluem e causam infecções que podem levar a morte.
Sérgio vive em um barraco de lona, numa área isolada na fronteira, conhecida como ‘Terra de Ninguém’, próximo ao km 4 da MS-165, rodovia que liga Coronel Sapucaia a Paranhos. O garoto mora com o pai e a mãe (identificados apenas como Isidro, 25 anos, e Noélia, de 21), além do irmão, um bebê de cinco meses. Nenhum deles possui documentos de identificação.
“É uma situação realmente degradante, que nos faz perguntar onde estão os direitos humanos que não ajudam pessoas em situações como essa. O menino chora o tempo todo e se coça muito por causa da doença. É um sofrimento que dá agonia de ver”, relatou Aristides Montania, diretor do Lar Cristo Redentor, que levou algumas doações de roupas e alimentos para a família após tomar conhecimento do caso.
Segundo Aristides, a família, que seria de uma aldeia indígena do Paraguai, veio para o Brasil justamente em busca de atendimento para o filho, já que ele teria sido desenganado pelos médicos paraguaios. “Eles vieram para tentar conseguir alguma ajuda aqui, mas não conseguiram e agora estão isolados, vivendo de doações, sem fonte de renda e sem atendimento médico para a criança”, contou o diretor do Lar, que agora recolhe doações, tenta tirar a família do local e conseguir atendimento para o menino.
“Estamos recolhendo doações, queremos conseguir uma casa para tirá-los de lá porque não tem esgoto, não tem nada. É terrível a situação, ainda mais para aquela criança doente e para o bebê. Além disso, vamos ver se conseguimos atendimento para o menino em Campo Grande, não sei ainda, mas o importante é que as pessoas se solidarizem a nos ajudem a salvar aquela família”, explicou Aristides.
Sem tratamento, quadro pode evoluir
Segundo a dermatologista Karla Sampaio, o Fogo Selvagem ou Pênfigo, é uma doença genética bastante comum, principalmente em Mato Grosso do Sul. Apesar de grave, pode ser controlada se for tratada adequadamente.
“É endêmico no Brasil e em Mato Grosso do Sul é comum. A doença é autoimune, ou seja, a pessoa desenvolve anticorpos que impedem a ligação de células da pele, e isso favorece a formação das bolhas, já que a pele fica vulnerável e se rompe formando as lesões. É uma doença geneticamente determinada, mas tem tratamento”, explicou Karla.
Ainda de acordo com a dermatologista, o tratamento é fundamental para que o quadro não evolua para algo mais grave, como uma infecção.
“Requer cuidados porque se não houver um acompanhamento adequado pode evoluir para um quadro grave e até mesmo a óbito. Mas é importante dizer que há o tratamento. Neste caso [do menino Sérgio] a criança deveria ser imediatamente internada para que seja diagnosticado exatamente o tipo da doença e seja feito o tratamento para controle”, finalizou Karla.
Doações
O Lar Cristo Redentor funciona há pelo menos seis anos atendendo pessoas carentes e necessitadas na região de Coronel Sapucaia, segundo informação do diretor da casa. Interessados em ajudar com doações podem entrar em contato por meio dos telefones (67) 9952-9070 / 9949-4019 (falar com Aristides Montania).


